Luiz Gaziri na Crusoé: Seu cérebro nas bets
Níveis de dopamina aumentam quando certeza de recompensa é menor
Uma luz colorida acende em um laboratório e um macaco automaticamente lembra da tarefa para a qual foi treinado centenas de vezes: basta apertar um botão dez vezes e, alguns segundos depois, ele receberá uma dose de uma deliciosa bebida açucarada.
Enquanto o macaco realiza a tarefa, microeletrodos inseridos em seu cérebro captam a atividade em áreas dopaminérgicas, responsáveis pela antecipação de uma recompensa.
Quando é uma luz que acende, o macaco sabe que, depois de apertar o botão algumas vezes, ele receberá a bebida com 100% de certeza.
No entanto, quando, em vez da luz, um sinal sonoro é emitido, o macaco sabe que ele receberá a bebida em apenas 50% das oportunidades.
Na sua opinião, em qual das condições existe mais atividade nas áreas dopaminérgicas?
Muitos acreditam que em uma situação em que a recompensa é certa, mais dopamina é liberada, afinal não existe nada mais prazeroso do que a certeza de que uma recompensa será recebida.
No entanto, o que é desconhecido por macacos e humanos – mas não pelo tigrinho – é que quando existe apenas 50% de chance de recebermos uma recompensa, a quantidade de dopamina
liberada no cérebro é imensamente maior.
Foi exatamente isso que cientistas das Universidades de Cambridge e Fribourg descobriram no estudo explorado acima: “talvez” libera mais dopamina do que “com certeza”.
Décadas de estudos científicos revelam que a dopamina está intimamente ligada com a motivação, ou seja, grandes níveis desse neurotransmissor incentivam indivíduos a trabalharem mais.
Além disso, muitas áreas dopaminérgicas – como o núcleo accumbens e o estriado – são responsáveis pelo processamento do prazer e do reforço positivo.
Como você pode imaginar, a ativação nessas áreas faz com que o cérebro queira repetir a atividade que trouxe prazer, resultando em possível vício.
Voltando ao estudo com os macacos, um fato curioso descoberto pelos cientistas é que quando o prêmio é certo…
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