Luiz Eduardo Ramos e seu "quartel-general"; Entenda

06.11.2026

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Luiz Ramos e seu “quartel-general”
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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 24.12.2021 18:00 comentários
Brasil

Luiz Ramos e seu “quartel-general”

Em 2021, o Centrão finalmente conseguiu escantear Luiz Eduardo Ramos no governo de Jair Bolsonaro. Segundo eles, Ramos não tinha traquejo político. Injustiça. Apesar da pouca experiência, o ministro se adaptou bem aos métodos do Centrão, no comando da Secretaria de Governo. Quando o governo tentava comprar o apoio de deputados ao seu candidato, Arthur Lira, por meio da liberação de verbas., o gabinete de Ramos se tornou um "quartel-general" da candid  

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4 minutos de leitura 24.12.2021 18:00 comentários 0
Luiz Ramos e seu “quartel-general”
Foto: Anderson Riedel/PR

Em 2021, o Centrão finalmente conseguiu escantear Luiz Eduardo Ramos no governo de Jair Bolsonaro. Segundo eles, Ramos não tinha traquejo político. Injustiça.

Apesar da pouca experiência, o ministro se adaptou bem aos métodos do Centrão, no comando da Secretaria de Governo.

Quando o governo tentava comprar o apoio de deputados ao seu candidato, Arthur Lira, por meio da liberação de verbas., o gabinete de Ramos se tornou um “quartel-general” da candidatura.

Lira orientava que os parlamentares fossem à Secretaria de Governo para que os seus nomes fossem incluídos em planilhas da pasta, para receber recursos, em troca do apoio na votação. A verba saia do Ministério do Desenvolvimento Regional.

A operação deu resultado, e Lira foi eleito com grande vantagem, assim como Rodrigo Pacheco, no Senado, também apoiado por Bolsonaro. O episódio marcaria o início de uma relação mais estreita entre o presidente e o PP, de onde partiriam as principais investidas contra Ramos.

Em março, o governo promoveu uma reforma ministerial. O então ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, pediu demissão depois que Bolsonaro tentou interferir nas Forças Armadas. Braga Netto, que comandava a Casa Civil, foi transferido para o posto.

Com isso, Ramos foi transferido para a Casa Civil, a pretexto de dar uma “cara política” à pasta. A transferência serviu para o governo entregar ainda mais cargos para o Centrão, nomeando Flávia Arruda para a Secretaria de Governo.

Apesar da ida para a Casa Civil, Ramos atropelou a nova ministra e continuou responsável pela liberação de emendas durante alguns meses.

O general alegava que havia um processo de transição, mas ele continuou como interlocutor preferencial dos parlamentares nas negociações.

Em abril, sem saber que uma reunião estava sendo transmitida, Ramos admitiu que tomou a vacina contra a Covid escondido. Ele disse que não tinha revelado o fato por pressão do governo.

“Tomei escondido, né, porque a orientação era para não criar caso, mas vazou. Eu não tenho vergonha, não. Tomei e vou ser sincero. Como qualquer ser humano, eu quero viver, pô. E se a ciência está dizendo que é a vacina, como eu posso me contrapor?”

Ao mesmo tempo, o ministro aplaudia o negacionismo do presidente e participava de motociatas e promovendo aglomerações.

À medida que avançavam as investigações da CPI da Covid e os senadores começavam a se debruçar sobre os escândalos de corrupção envolvendo a compra de vacinas, a popularidade do governo despencava e cresciam os rumores sobre o impeachment — e o Centrão viu nisso mais uma oportunidade. .

Interessado em sugar tudo o que pudesse de Bolsonaro, o grupo passou a cobiçar ainda mais Casa Civil, colocando-se como garantidor da permanência de Bolsonaro na presidência.

Em julho, o governo finalmente entregou o posto ao senador Ciro Nogueira, presidente do PP. Ramos acabou sendo transferido para a Secretaria-Geral da Presidência. Ele disse que não fazia a menor ideia de que seria demitido e que foi pego de surpresa: “Estou em choque. Fui atropelado por um trem, mas passo bem”.

Segundo parlamentares, pouca coisa mudou: “saiu o Centrão de farda, entrou o Centrão de terno”.

Apesar do descontentamento, Ramos não deixou de bajular Bolsonaro. Poucos dias após ser chutado do cargo, ele publicou uma foto ao lado do presidente, em um jogo do Flamengo: “Uma alegria indescritível!”.

Na Secretaria-Geral da Presidência, o general continuou a servir docilmente Bolsonaro, apoiando suas empreitadas golpistas, como a micareta militar que tentou ameaçar os deputados no dia da votação da PEC do Voto Impresso e as manifestações de 7 de Setembro.

Ramos também não deixou de passar vergonha ao lado de Bolsonaro, como quando teve que comer pizza na calçada, em Nova York, porque o presidente não havia se vacinado contra a Covid e, por isso, não poderia entrar no estabelecimento.

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