Loja de capinhas de celular lavava dinheiro do tráfico no RJ
De acordo com a polícia, investigação mira esquema que teria movimentado R$ 47 milhões para três facções criminosas
Dez pessoas foram presas nesta quarta-feira, 15, em ação contra um grupo suspeito de lavar R$ 47 milhões oriundos do tráfico de drogas por meio de uma loja de capinhas e acessórios de celular no centro do Rio de Janeiro.
A Operação Hawala, deflagrada pela Polícia Civil, atingiu quatro estados e prendeu, entre outros, a proprietária do estabelecimento e um empresário libanês apontado como líder da organização.
Prisões em quatro localidades
Os mandados foram cumpridos no Rio (quatro), em São Paulo (quatro), em Nova Friburgo e em Foz do Iguaçu, um em cada cidade. Entre os detidos estão Bárbara Luzia Souza de Carvalho, dona da loja carioca, e Reda Zayoun, preso em Foz do Iguaçu e identificado como chefe do esquema.
Também foram presos em São Paulo os irmãos dele, Yasser Zayoun e Kassem Zayoun, além de Lucas Gabriel Vidal e Ali Alfakih. Os três empresários residem na capital paulista.
A polícia não soube informar se os investigados possuem defesa constituída, e o processo, sob sigilo até as 19h, não permitiu confirmar a existência de advogados cadastrados.
Renda incompatível com o volume movimentado
Segundo o delegado Pedro Brasil, titular da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados, a movimentação financeira da loja de Bárbara não guardava relação com seu porte comercial: “Ela chegou a declarar renda de R$ 880 por mês e já foi beneficiária de programas sociais”, afirmou.
De acordo com o delegado, o mecanismo consistia na compra de peças e acessórios de celular no exterior, posteriormente revendidos no Brasil como faturamento legítimo, quando na verdade escondiam recursos das facções: “Havia a inserção de valores por diferentes facções. Esse dinheiro era utilizado para comprar, no exterior, peças e acessórios, que eram vendidos como se legais fossem. Eles declaravam esses valores como sendo provenientes de lucro das vendas”, explicou.
Ligação com três facções e novas suspeitas
Bárbara foi encontrada nas imediações do morro São Carlos, região central do Rio associada à liderança do Terceiro Comando Puro (TCP), facção para a qual o grupo prestaria serviços financeiros diretos. A organização também seria responsável por ocultar recursos do Comando Vermelho (CV) e do PCC.
A apuração identificou ainda uma frente até então desconhecida: o contrabando de cigarros eletrônicos e canetas emagrecedoras.
A polícia investiga, de forma preliminar, possível conexão do esquema com financiamento ao terrorismo internacional. Segundo o delegado, “as informações [de ligação] com o terrorismo ainda são muito embrionárias”.
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