Liquidação do Master não gera risco sistêmico, garante BC
Comef assegura que o porte reduzido da instituição mitigou impactos no Sistema Financeiro Nacional, mesmo com as investigações
O Banco Central (BC) decretou a liquidação de instituições financeiras pertencentes ao Banco Master. A decisão foi motivada por uma “grave crise de liquidez” do banco privado, além das “graves violações” às normas que regem a atividade bancária. Apesar do encerramento das operações, o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) da autarquia comunicou que o evento não oferece “risco de natureza sistêmica” para o mercado financeiro do Brasil.
Em paralelo ao decreto de liquidação, a Polícia Federal deflagrou uma operação que levou à prisão de Daniel Vorcaro, dono do conglomerado, e de outros diretores do Master. As investigações apuram a suspeita de “fabricação” de carteiras de crédito em transações realizadas entre o Master e o BRB. O impacto financeiro potencial destas transações é calculado em R$ 12 bilhões.
O Comef justificou a ausência de risco sistêmico reiterando que o grupo liquidado é de “porte pequeno”. A instituição estava enquadrada no segmento S3 da regulação prudencial. O conglomerado Master representa uma fatia reduzida do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Ele corresponde a 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do SFN.
A administração prudente de capital e liquidez deve persistir nas demais entidades supervisionadas, conforme recomendação do Comef. Esta orientação leva em conta as “incertezas econômicas e da conjuntura”.
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Cenário de crédito e recomendações do BC
O Banco Central avalia que o sistema financeiro brasileiro apresenta capacidade para lidar com a materialização de riscos de crédito. Os níveis de capital, liquidez e as reservas destinadas a perdas de crédito das instituições bancárias são considerados adequados.
O Comef também destacou que a exposição do sistema a flutuações externas é baixa. Isso se deve à reduzida exposição cambial e à baixa dependência de financiamento provindo do exterior.
O Comitê decidiu manter o valor do Adicional Contracíclico de Capital Principal (ACCPBrasil) em 0%. Este adicional é uma reserva de capital que os bancos devem acumular em períodos de expansão do crédito.
No mercado de crédito, a trajetória de desaceleração se mantém, tanto no sistema financeiro quanto no mercado de capitais. Essa moderação acompanha o ritmo da atividade econômica.
Ainda assim, o Comef ponderou que a taxa de crescimento do crédito permanece “historicamente elevado”. O cenário é marcado pela taxa básica de juros restritiva, além dos níveis atuais de inadimplência e endividamento das famílias e empresas.
Diante deste panorama, o Comef exige “cautela e diligência adicionais na concessão de crédito, tanto na qualidade dos empréstimos quanto no apetite ao risco”. O órgão também monitora de perto as consequências de políticas fiscais e monetárias de economias avançadas, bem como a reprecificação de ativos globais e eventos geopolíticos.
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