Líder do PL na Câmara vira alvo da PF em operação sobre desvios de cota parlamentar

03.10.2026

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Líder do PL na Câmara vira alvo da PF em operação sobre desvios de cota parlamentar
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Wilson Lima
5 minutos de leitura 19.12.2025 07:27 comentários
Brasil

Líder do PL na Câmara vira alvo da PF em operação sobre desvios de cota parlamentar

Segundo a investigação, agentes políticos, servidores comissionados e particulares teriam atuado de forma articulada para desviar e ocultar verbas públicas

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Wilson Lima
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Líder do PL na Câmara vira alvo da PF em operação sobre desvios de cota parlamentar
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), e o deputado federal Carlos Jordy (RJ) foram alvo da Polícia Federal durante a Operação Galho Fraco, deflagrada nesta sexta-feira, 19. A operação aprofundou as investigações sobre o desvio de recursos públicos provenientes de cotas parlamentares.

Ao todo, os policiais cumpriram sete mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, no Distrito Federal e no Rio de Janeiro. Além dos mandados de busca e apreensão, Dino também determinou a quebra de sigilo bancário e telemático de ambos.

Os dois congressistas foram acusados de usar contratos fraudulentos de locação de veículos para desviar recursos públicos. A suspeita é que ambos tenham cometido crimes como lavagem de dinheiro, peculato e integrar organização criminosa.

Segundo a investigação, agentes políticos, servidores comissionados e particulares teriam atuado de forma articulada para desviar e ocultar verbas públicas. A operação é um desdobramento de ação deflagrada em dezembro de 2024 chamada “Rent a Car” e apura suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

“Há elementos indiciários de que os Deputados Federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy teriam desviado recursos da cota parlamentar por intermédio dos servidores comissionados – notadamente Adailton Oliveira dos Santos e Itamar de Souza Santana – utilizando, para o sucesso da empreitada, empresas como a Harue Locação de Veículos LTDA ME e a Amazon Serviços e Construções LTDA”, disse a Procuradoria-Geral da República na representação contra os parlamentares.

Dino determinou essa operação desta sexta-feira após a Polícia Federal obter mensagens de assessores parlamentares que citam os dois deputados federais. No ano passado, a PF pediu a realização de busca e apreensão contra Sóstenes e Jordy, mas Dino negou.

Durante a operação, a PF apreendeu 430 mil reais em espécie na residência em uma sacola em um endereço ligado ao deputado Sóstenes Cavalcante (RJ). O dinheiro estava escondido em um armário.

Após a ação da PF, Carlos Jordy declarou que a operação foi desencadeada com uma ‘alegação tosca’.

“Hoje é aniversário da minha filha e estão fazendo novamente essa busca e apreensão covarde, alegando que eu teria desviado recursos da Cota Parlamentar para uma empresa de fachada com o aluguel de carros. Sendo que é a mesma empresa que eu alugo carros desde o primeiro mandato. A alegação deles é tosca”, disse Jordy.

A investigação contra Sóstenes e Jordy

As investigações começaram quando a Polícia Federal identificou movimentações atípicas do assessor do PL Adailton Oliveira Santos, no valor de 22,8 milhões de reais ( entre entradas e saídas) sendo que, boa parte delas, não teve origem identificada ainda pelos policiais. Também foram identificadas transações de 11,8 milhões de reais (entre entradas e saídas) de Itamar de Souza Santana, assessor parlamentar de Jordy.

Ainda durante a investigação, a PF identificou depósitos de assessores parlamentares, em valores inferiores a R$ 10 mil, nas contas de Sóstenes e de Jordy. Outro ponto que chamou a atenção foi o pagamento de recursos do Cotão Parlamentar à empresa de locação de veículos Haure (a Alfa Car), mesmo após a dissolução da locadora. A suspeita da PF era que a Mobile se tratava de uma empresa de fachada. Segundo a PF, Jordy pagou R$ 214 mil para essa empresa; Sóstenes, outros       R$ 192 mil.

“Ademais, comparando o tamanho da frota de veículos das empresas de locação de veículos aos parlamentares no Rio de Janeiro-RJ, onde tem suas bases parlamentares, com tamanho da frota de veículos da HAURE, verifica-se uma discrepância, haja vista a HAURE ter somente 5 veículos em sua frota, por outro lado, as empresas no Rio de Janeiro -RJ têm sempre frota superior a 20 veículos”, declara a PF.

O início da investigação se deu, segundo a PF, quando o órgão policial identificou transações suspeitas entre Itamar Santana e a Haure (56 mil reais a crédito e 23,2 mil a débito). Ou seja: na visão da PF, o dinheiro da Cota Parlamentar saia das contas do gabinete, irrigava a empresa e depois ele voltava para o assessor de Jordy.

“Chama de igual forma atenção o fato de que o Deputado CARLOS JORDY tenha efetuado movimentações suspeitas no montante de R$ 75.343.67 em 63 operações a seu Secretário Parlamentar ITAMAR, o que evidencia o intrínseco e direto relacionamento econômico entre o Parlamentar e seu assessor”, declara a PF.

No caso de Sóstenes Cavalcante, a PF identificou diálogos segundo os quais o parlamentar teria feito um contrato de locação de veículo que beneficiou a sua filha.

“No final de 2023 e início de 2024, SÓSTENES consultou ADAILTON sobre a locação de um veículo 2020 e eventual troca em novo contrato. Posteriormente, diante da promessa do Deputado de lhe transferir R$ 3.000,00 sob a justificativa de supostos “acertos”, ADAILTON passou a cobrar R$ 3.600,00 pelo “carro aqui de Brasília”. Tal cobrança esta aparentemente relacionado com as diferenças reclamadas por ITAMAR no âmbito do contrato de locação com a HARUE”, declara a PF.

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Wilson Lima

Wilson Lima é jornalista formado pela Universidade Federal do Maranhão. Trabalhou em veículos como Agência Estado, Portal iG, Congresso em Foco, Gazeta do Povo e IstoÉ. Acompanha o poder em Brasília desde 2012, tendo participado das coberturas do julgamento do mensalão, da operação Lava Jato e do impeachment de Dilma Rousseff. Em 2019, revelou a compra de lagostas por ministros do STF.

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Comentários (1)

Clayton De Souza pontes

19.12.2025 08:40

Esse esquema da locação fraudulenta de veículos é antigo. Se for pra valer, muita gente dali vai se complicar


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