Líder do governo Lula reclama de “facada pelas costas” de aliados
Jaques Wagner diz que Renan Calheiros "fez uma fake news completa" ao reclamar do acordo para votar o PL da Dosimetria
Líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA, foto) reclamou durante entrevista concedida à rádio Sociedade, da Bahia, nesta terça-feira, 6, de ter levado uma “facada pelas costas de alguns dos nossos”.
Wagner usou a expressão ao responder sobre o acordo para votar o PL da Dosimetria, aprovado pelo Senado no fim do ano passado.
O senador governista Renan Calheiros (MDB-AL) criticou o líder do governo publicamente ao expor a articulação, e Wagner virou alvo de reclamações também de aliados, como a ministra Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais.
A explicação
O petista se explicou nesta terça, mencionando a vontade de aprovar o projeto de “taxação BBB, bancos bilionários e bets”, que foi aprovado no mesmo dia do PL da Dosimetria, e disse que “se estourasse uma coisa, poderia estourar a outra”.
Quer dizer, o petista admitiu que houve um acordo para que as votações ocorressem, acrescentando, inclusive, que o caso do PL da Dosimetria “estava perdido”, porque “eles [a oposição] conseguiram maioria, tiveram 48 votos contra 25 a favor da dosimetria”.
Mas fez questão de dizer que não apoiou a redução de penas dos réus do 8 de janeiro.
“Duas matérias saíram juntas da Câmara, eu estava na reunião ministerial. Houveram (sic) três tentativas da gente adiar a votação, que não ia mudar, a única coisa que ia [fazer era] empurrar agora para este ano, agora em fevereiro. E, para mim, interessava realmente votar ano passado, por conta do Orçamento da União”, disse Wagner.
O líder do governo destacou que “o PT fechou a questão contra a dosimetria”.
“Alguns dos nossos que não aguentam”
“Eu encaminhei pelo governo contra a dosimetria e quinta-feira, no 8 de janeiro, esse ato que o presidente está falando, imagina o que vai acontecer no 8 de janeiro: ele vai vetar a dosimetria”, disse o petista, para quem Calheiros “fez uma fake news completa” ao expor a articulação.
“Então, no final, toda esse barafunda que fizeram, inclusive, tomei facada pelas costas de alguns dos nossos que não aguentam ver a rede esquentar que vai logo entregando o jogo… Essa que é a verdade. Porque hoje o poder das rede é muito grande”, reclamou o senador, acrescentando:
“Eu não saio correndo porque estão falando isso ou aquilo na rede [social]. O dia [em] que eu for conduzido pela rede, é melhor eu largar o cargo. Eu acho que quem quer ser líder tem que ter posição. E, para ter posição, às vezes você recebe o aplauso, às vezes você recebe a crítica justa e às vezes você recebe a crítica injusta. Eu já passei por isso. Daqui a pouco o pessoal vai reconhecer: ‘Não, você estava certo’.”
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