Letícia Barros na Crusoé: Lula e o Clube do Bolinha do STF
No governo do petista, as portas se abrem apenas para quem já estava dentro
A discussão envolvendo a tão desejada cadeira feminina no Supremo Tribunal Federal voltou aos holofotes midiáticos após a previsível indicação de Jorge Messias à Corte pelo presidente Lula.
A campanha durante a corrida presidencial em 2022 era estridente: Lula seria o presidente da inclusão e da diversidade.
No entanto, na terceira oportunidade de mostrar que sua benevolência iria além do discurso, mostrou que continua fiel a uma só cota: a dos amigos.
O grampo de 2016, em que Dilma Rousseff menciona Jorge Messias em uma ligação com Lula, já revelava o seu papel de confiança no núcleo petista.
A trajetória que o levou à Advoccia-Geral da União e agora ao STF confirma que, no governo Lula, as portas se abrem apenas para quem já estava dentro.
Todavia, a lógica de compadrio e autoproteção não deveria ser novidade no atual governo, já que nas outras duas oportunidades, Lula indicou o seu advogado pessoal, Cristiano Zanin, e seu também aliado político, Flávio Dino.
Lula construiu um discurso moral sobre pluralidade, mas governa como um monarca que recompensa a lealdade.
Esse episódio da política brasileira apenas repete um velho padrão: o jogo de poder sempre privilegiou o compadrio em detrimento da competência.
Como bem observou Lord Acton, “o poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente”.
Essa é uma realidade ainda mais manifesta na esquerda populista, que enche suas campanhas de narrativas que servem como fachada moral, não como compromisso real.
Esse jogo apenas corrói a credibilidade da mais alta corte do país, cuja missão é proteger a Constituição e agir com rigor técnico, não político.
Ao mesmo tempo, reforça a exclusão de mulheres competentes que seguem preteridas, em um governo que só está comprometido com a diversidade quando ela é conveniente — nunca quando ameaça o poder.
Por ser uma Corte técnica, o interesse na indicação de uma mulher ao STF não deve ser apenas em função do sexo feminino.
Não estamos brigando por um salto e um batom vermelho para servir de enfeite para o discurso progressista, estamos brigando por reconhecimento de que existem mulheres qualificadas o bastante para ocupar o cargo.
A tão perseguida “igualdade” não está em preencher cotas, mas em abrir o caminho para que o mérito seja o único critério de escolha.
O Brasil tem juristas de excelência — mulheres com décadas de experiência e produção acadêmica —, mas nenhuma delas parece ter espaço num sistema em que a troca de favores pesa mais que a competência, ou em um governo que tem transformado a mais importante Corte do país em um verdadeiro Clube do Bolinha: homens leais a si próprios, não à Constituição.
No fim…
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