Leonardo Barreto na Crusoé: Por que não estamos vendo um repeteco da Lava Jato?
Na conjuntura atual, a culpa não está concentrada na gestão Lula e nem no poder Executivo, permitindo que se faça uma batalha de narrativas entre os lados
A jornalista Daniela Lima publicou, em sua coluna no portal Uol, que o advogado que assumiu a negociação da delação premiada de Daniel Vorcaro é o mesmo que representa o ex-presidente da Reag.
Ela nota que, entre advogados, essa situação parecia incompatível, considerando que ambos estão denunciados e um poderia dedurar o outro.
No entanto, a junção de dois acusados sob a mesma representação judicial sugere que uma delação ampla pode estar a caminho.
Daniela Lima detectou, com agudeza, que uma “colaboração do apocalipse” vem aí.
É muito difícil incluir esse tipo de informação em análise política, porque ela está no campo do imponderável e não é possível fazer uma previsão de encadeamento ou impacto de eventos.
O que dá para fazer, no entanto, é realizar uma avaliação de contexto, buscando entender que tipo de estímulo o ambiente político está dando ao eleitor.
Nesse sentido, parece inevitável buscar um paralelo com a operação Lava Jato, que estava muito aquecida em 2014, tendo seu momento mais crítico ocorrido três dias antes da eleição, quando a revista Veja publicou uma capa com a frase: “Eles sabiam de tudo“.
A reportagem era baseada em um depoimento de Alberto Youssef, que implicava a ex-presidente Dilma Rousseff e Lula.
À época, pode-se dizer que a Lava Jato incluiu definitivamente o tema “corrupção” na agenda do eleitor, que passou a enxergar no voto um ato moralizante.
Afirmar que 2026 pode reproduzir um filme repetido é uma tentação, mas não é correto.
Primeiro, pelas características dos escândalos. Em 2014, o problema estava na Petrobras e em denúncias envolvendo construtoras. A questão das obras estava no foco.
Hoje, as denúncias estão mais próximas das pessoas, pois envolvem descontos ilegais de aposentados, fundos de previdência e investidores, com danos mais espalhados.
Outra diferença é a identificação dos alvos. Em 2014, o PT foi…
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