Leonardo Barreto na Crusoé: O dilema do centro
O equilíbrio em uma eleição acontece quando os candidatos calculam que, para ganhar, precisam conquistar o eleitor do meio
Se você já viu esse filme sobre a vida do economista John Nash (1928-2015), vai se lembrar de uma cena famosa que ocorre em um bar.
Ele e seus amigos viram um grupo de mulheres e se desafiaram uns aos outros a beijar a mais bonita delas.
Quando estão selando as regras da competição, Nash teve seu insight.
Se todos abordarem a mesma moça, ela se sentirá superestimada e tenderá a não escolher ninguém.
Quando os garotos, então, se direcionarem para as outras garotas, elas também os rejeitarão porque ninguém quer ser a segunda opção.
Nash vê naquele episódio, um dilema de ação coletiva.
Com todos perseguindo o seu próprio interesse, sem colaboração entre eles, o resultado será o pior para o grupo em razão de bloquear um ao outro.
O famoso equilíbrio de Nash fala de uma situação de equilíbrio na qual um sujeito ajusta sua escolha prevendo a escolha dos outros para, assim, não sair de mãos abanando.
Trazendo isso para a disputa eleitoral, imagine que existam dois candidatos: Candidato A (esquerda) e o Candidato B (direita), mas a maioria dos eleitores da cidade está no “centro“, ou seja, são moderados.
Se o Candidato A for muito para a esquerda, ele agrada seus fãs fiéis, mas perde o eleitor moderado.
Se o Candidato B for muito para a direita, ele também seduz sua base e perde o moderado.
O equilíbrio acontece quando ambos sabem que, para ganhar, precisam conquistar o eleitor do meio.
O candidato A, então, suaviza o discurso e caminha para o centro. Com isso, ele “rouba” eleitores do adversário.
A reação do candidato B é fazer o mesmo e buscar os eleitores moderados.
O resultado nesse caso é que os candidatos, caminharem para o centro, inviabilizam…
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