Leonardo Barreto na Crusoé: Da mão para a boca
Governo Lula reconhece a insustentabilidade das contas públicas, mas destaca que não fará nenhuma reforma decente até a reeleição
Quando o orçamento foi votado no fim do primeiro trimestre deste ano, muita gente avisou que os parâmetros estavam equivocados.
Havia superestimação de receitas – alguns chegaram a dizer que 160 bilhões de reais eram incertos — e uma visão otimista sobre as despesas.
Na semana passada, o governo deu o braço a torcer. Anunciou o bloqueio de 31,1 bilhões de reais em despesas e anunciou o aumento de tarifas de IOF com previsão de arrecada perto de 20 bilhões de reais ainda este ano.
A reação da sociedade e do Congresso tem sido violenta. Não apenas pelo esforço fiscal exigido ou pelo impacto que o uso de um imposto regulatório para fins arrecadatórios terá sobre a economia.
Mas porque expõe de forma explícita a sujeição da economia do país ao plano de reeleição do presidente Lula.
O esforço exigido não visa melhorar as contas públicas ou ajudar no perfil da dívida, mas abrir condições para que o governo continue a colocar em prática a política “econômica do amor” que inclui o reforço de programas distributivos.
Na lista, podem ser colocados o novo Vale Gás, energia elétrica de graça, subsídio para entregadores de delivery comprarem motos, recursos para o Minha Casa Minha Vida para a classe média, Pé de Meia e a isenção do IR para pessoas que ganham até 5 mil reais.
Toda pressão fiscal estressa a afrouxada lei do arcabouço fiscal.
E mesmo que a arrecadação tenha subido 9% entre 2023 e 2024, não é possível cumprir a meta sem aumento de tributos.
Como disse o jornalista Caio Junqueira recentemente, “a reeleição de Lula não cabe no orçamento”.
No final, o que está em xeque é a validade da estratégia política de fazer de 2025 e 2026 exclusivamente “anos de colheita”.
Na base desse debate está um…
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