Leonardo Barreto na Crusoé: Culpa factual de Bolsonaro é a menor das questões
Julgamento do ex-presidente tem três dimensões políticas. Seu resultado será uma mistura de paixões, remorsos e ideologias
Não sei se o ex-presidente Jair Bolsonaro é culpado ou não por tentativa de golpe. E, a depender do STF, vou continuar sem saber.
Uma frase que resume o problema foi dada por um dos maiores comentaristas jurídicos da mídia brasileira que disse “olha, a atuação do Alexandre de Moraes pode não ser imparcial, mas é muito bem fundamentada”.
Para quem idealiza que a Justiça é cega, isso é um tapa na cara.
Mas, para quem vive no mundo da realpolitik, da “vida como ela é”, trata-se apenas de um descuido que atesta o mal-estar que quase todos sentem, mas ninguém assume, em relação à legalidade da situação.
Por que é assim?
Acadêmicos da área não têm pudor em assumir que este julgamento é político e que é empreendido por um tribunal político.
Essa dimensão política, por sua vez, pode ser desmembrada em três partes.
A primeira é simplória e acontece quando uma facção quer tirar outra facção da corrida de uma maneira forçada. É a extrapolação da competição política tradicional na qual um ator reconhece o direito do seu adversário de estar também na arena.
No fundo, essa é a base do debate em curso. O STF acusa os bolsonaristas de quererem neutralizá-lo e os bolsonaristas apontam os ministros como tendo agido de forma parcial na administração da eleição de 2022.
Mas vamos abandonar esse aspecto em nome de outros mais interessantes.
A segunda dimensão é mais simbólica e projeta no ex-presidente Jair Bolsonaro todo o período militar (1964-1985).
Está aí o pessoal que defende que essa é a chance de o país passar seu passado a limpo.
A terceira questão é a atenção dada por observadores internacionais ao caso.
Muitos acadêmicos (de novo) afirmam, jactanciosos, que o mundo olha para o Brasil ansioso “para aprender como se faz”. Como se faz o que? “Combater a extrema direita”.
Para seu azar, mas também…
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