Leite mira em Caiado e pressiona Kassab por candidatura de centro
Governador gaúcho descarta debate sobre anistia e cobra do presidente do partido definição de perfil para 2026
Eduardo Leite (PSD-RS) abriu o confronto mais direto até agora com Ronaldo Caiado (PSD-GO), pela indicação presidencial do partido em 2026. Em entrevista à CNN Brasil, o governador do Rio Grande do Sul defendeu que o PSD construa uma candidatura de centro, contra o que chama de uma disputa presidencial alinhada ao campo bolsonarista.
“Quero muito que a gente possa ter a opção da candidatura de centro e não simplesmente uma candidatura na esquerda e três candidaturas do lado da direita mais radicalizada”, afirmou Leite.
A declaração veio após a retirada de Ratinho Júnior (PSD-PR) da disputa interna, movimento que, segundo o próprio governador gaúcho, “zerou o jogo” e abriu caminho para um duelo mais nítido com o governador goiano.
O centro como projeto
Leite defendeu que a candidatura do PSD não se construa em torno da pauta da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, bandeira associada a Caiado e ao bolsonarismo. “Eu defendo que não seja discutindo anistia nem indulto, eu defendo que seja discutindo um novo Brasil”, disse.
Para sustentar sua posição como nome de centro, o governador recuperou sua postura nas eleições de 2022, quando recusou apoio tanto a Luiz Inácio Lula da Silva quanto a Jair Bolsonaro. Segundo Leite, essa independência é o que o habilita a disputar um eleitorado que não se identifica com os polos ideológicos dominantes.
O governador também rebateu o que classificou como falsa dicotomia pregada pelos extremos. “Parecem querer vender a ideia de que é uma coisa ou outra, ou vai ser duro contra o crime ou vai proteger quem precisa. E o Brasil não pode fazer essa escolha”, afirmou.
Segurança, fiscal e o caso Master
Para dar concretude à candidatura, Leite apresentou dados de segurança pública do Rio Grande do Sul. Segundo o governador, a gestão estadual registrou redução de mais de 60% nos homicídios, 80% nos roubos a pedestres e 90% nos roubos de veículos. O estado teria ainda o menor índice de roubos de celulares per capita do país.
Na agenda econômica, Leite apontou a crise fiscal como um dos eixos do debate presidencial. Para o governador, o desequilíbrio nas contas públicas mantém os juros elevados e compromete o crescimento, tema que, segundo ele, precisa ganhar espaço na campanha de 2026.
O governador também citou o caso do Banco Master como sintoma de um problema estrutural na política brasileira. “A gente vai para mais uma eleição que tem uma crise política, um escândalo. Já teve a eleição do Mensalão, a eleição da Lava Jato, agora tem a eleição com o Banco Master. A gente precisa recuperar a autoridade moral e trazer a discussão de como aprimora as nossas instituições para evitar que esse tipo de crime aconteça”, disse.
Leite descartou deixar o governo do Rio Grande do Sul antes do fim do mandato para disputar o Senado ou compor uma chapa presidencial como vice. Reconheceu que caberá a Gilberto Kassab, presidente do PSD, definir, em consulta com lideranças do partido, qual perfil de candidatura a sigla vai abraçar para 2026.
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