Lasers disparados do céu encontram rede de cidades gigantescas escondidas na Amazônia há milhares de anos
A aplicação de tecnologia a laser na arqueologia amazônica tem mudado a visão de uma floresta vazia
A aplicação de tecnologia a laser na arqueologia amazônica tem mudado a visão de uma floresta vazia.
Um estudo da Universidade de Cambridge revelou sistemas urbanos complexos sob a vegetação, como as cidades milenares do Vale do Upano, no Equador, reabrindo o debate sobre a dimensão das sociedades pré-colombianas na região.
Como a tecnologia a laser mudou a visão sobre a Amazônia?
Equipes multidisciplinares mostram que o suposto “vazio verde” provavelmente nunca existiu. Em vez de poucas aldeias dispersas, surgem redes de assentamentos planejados, com infraestrutura viária, áreas agrícolas e ocupação duradoura.
Essas descobertas indicam planejamento territorial em larga escala. A floresta passa a ser entendida como paisagem historicamente ocupada, e não como ambiente intocado até a chegada dos europeus.

O que é LiDAR e por que essa tecnologia é decisiva?
LiDAR, sigla para Light Detection and Ranging, é uma tecnologia de mapeamento a laser que mede distâncias por pulsos de luz. Em aviões ou drones, bilhões de feixes atravessam a copa das árvores e retornam ao atingir o solo, gerando modelos tridimensionais precisos.
O grande diferencial na Amazônia é a remoção digital da vegetação, revelando o relevo e estruturas ocultas. Assim, é possível mapear plataformas, canais, terraços, estradas e quarteirões sem desmatamento, ampliando a área pesquisada com baixo impacto.
Como o LiDAR revelou cidades milenares no Vale do Upano?
No Vale do Upano, o LiDAR identificou sítios interligados por vias retilíneas, formando uma rede urbana com cerca de 2.500 anos. Essas cidades permaneceram ocupadas por quase um milênio, evidenciando continuidade de planejamento e gestão do território.
Foram observados padrões de urbanismo sofisticado, com plataformas residenciais regulares, centros cerimoniais e zonas produtivas. Estimativas sugerem dezenas de milhares de habitantes em um mosaico de aldeias, vilas e centros urbanos articulados.
A Amazônia antiga era realmente intocada?
As cidades reveladas por laser reforçam que grande parte da Amazônia foi manejada intensamente. Solos de terra preta, plantas domesticadas e a distribuição de sítios indicam paisagens moldadas por práticas agrícolas e florestais complexas.
Esses sistemas incluíam redes de assentamentos articulados por caminhos e rios, manejo seletivo de espécies úteis e técnicas para solos pobres. A floresta aparece como paisagem cultural, fruto de sucessivas gerações de “engenheiros da paisagem”.
LiDAR revela ciudades antiguas en la Amazonía ecuatoriana: plataformas, caminos y canales de hace 2.500 años prueban que existió una civilización agrícola avanzada en el Valle de Upano. Una historia que resurge desde la selva. pic.twitter.com/CEYvSJpAhf
— Rodrigo Vázquez (@rodvaN) June 24, 2025
Quais são os próximos passos das pesquisas com LiDAR?
O uso de LiDAR na floresta ainda está em expansão. Novos levantamentos devem localizar outras redes urbanas e sistemas agrícolas, além de aprofundar a relação entre esses vestígios e povos indígenas atuais. Entre as principais frentes de pesquisa, destacam-se:
Anatomia das Cidades Ocultas
Bases elevadas de terra usadas para residências e prédios cerimoniais.
Estradas largas que conectavam vilas e centros urbanos por quilômetros.
Sistemas de gestão de água integrados para lidar com o clima tropical.
Terraços e zonas produtivas domesticadas que sustentavam multidões.
Esses dados podem fortalecer políticas de proteção ambiental e do patrimônio arqueológico. Ao revelar cidades ocultas, o LiDAR redefine a história da Amazônia e amplia o entendimento sobre formas de urbanismo em florestas tropicais.
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