Justiça rejeita pedido para retirar indígenas de terminal no Pará
Invasão ocorreu em protesto contra decreto de Lula
A Justiça Federal negou neste sábado, 21, analisar recurso da Cargill que pedia medidas coercitivas para retirar indígenas do terminal portuário da empresa.
O juiz de plantão Eneias Alexandre Gonçalves Torres reconheceu a gravidade da situação, mas afirmou que “a adoção de medidas destinadas ao pronto restabelecimento da ordem não se mostra recomendável em sede plantão”.
Segundo o magistrado, a presença de mulheres, crianças e idosos torna o uso imediato da força policial arriscado.
“Sem prévia articulação institucional, sem plano operacional estruturado e sem diálogo com os atores envolvidos, apresenta risco concreto de agravamento do conflito”, escreveu Torres em sua decisão.
Ato contra decreto de Lula
Os indígenas invadiram o terminal na madrugada deste sábado, após 30 dias de bloqueio ao acesso de veículos.
O ato ocorre em protesto contra o decreto nº 12.600, assinado pelo presidente Lula em agosto de 2025, que inclui hidrovias federais no Programa Nacional de Desestatização.
Na noite de sexta, 20, a fachada do escritório central da Cargill, em São Paulo, foi vandalizada.
Alessandra Korap Munduruku, líder indígena, afirmou que a mobilização vem crescendo com a chegada de povos de outras regiões, como os kayapós de Mato Grosso.
A entrada na área interna do terminal é uma resposta à ordem judicial de desocupação, que concedia 48 horas para a saída do grupo.
A Cargill informou que as ações resultaram em vandalismo e que suas operações estão “integralmente interrompidas”.
Em nota, a empresa disse que segue em contato com as autoridades “para que as providências para desocupação sejam tomadas de forma ordeira e segura”.
Já o governo federal afirmou que o decreto não autoriza obras nem privatiza a hidrovia do Tapajós, e trata apenas da realização de estudos técnicos sobre concessão dos serviços de navegabilidade.
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Comentários (1)
E os povos originários estão com Lula?