Justiça mantém no ar vídeo de “chá revelação” no RS
Juiz nega retirada e indenização; decisão cita disseminação irreversível após mais de 33 milhões de visualizações
A Justiça do Rio Grande do Sul negou, na quinta, 17, o pedido de Rafael Eduardo Schemmer para remover das redes sociais o vídeo de um “chá revelação de traição” gravado em Quinze de Novembro.
O vídeo ganhou grande alcance e superou 33 milhões de visualizações.
A decisão, assinada pelo juiz João Gilberto Engelmann, apontou que a disseminação do conteúdo impede o controle efetivo da difusão após a viralização.
Segundo os autos, Schemmer solicitou a retirada do material e pediu R$ 100 mil por danos morais, além de pagamento proporcional pelas visualizações do vídeo.
O magistrado rejeitou os pedidos ao registrar que o conteúdo foi replicado em múltiplos perfis e plataformas, de modo que a exclusão isolada não impediria novos compartilhamentos.
O vídeo foi gravado durante uma festa em formato de “chá revelação” no município de Quinze de Novembro, no noroeste do estado.
A ex-companheira, Natália Knak, grávida de 11 semanas, apresentou supostas infidelidades atribuídas a Rafael na frente de parentes. A gravação ocorreu na casa dos pais do homem, conforme a descrição do evento.
A cidade tem cerca de 3,9 mil habitantes. O material começou a circular no fim de semana e, com a multiplicação de repostagens, alcançou milhões de visualizações em diferentes plataformas.
De acordo com a decisão, o alcance massivo inviabiliza medidas de contenção com efeito prático.
A defesa de Rafael afirma que o processo corre em segredo de Justiça.
O advogado José Luiz Dorsdt disse que a prioridade é retirar o vídeo e frear a multiplicação de memes, piadas e julgamentos públicos. Segundo ele, ainda pode haver tentativa de conciliação em razão da gestação.
Em texto enviado por sua defesa, Rafael declarou que assume as consequências dos atos e pediu “consciência” no tratamento do episódio.
Ele disse que a exposição atingiu pessoas que não participaram do conflito e citou famílias em sofrimento. Afirmou também que a amplificação nas redes aprofunda feridas e requer cautela.
O registro mostra convidados aguardando um anúncio. Natália segura uma caixa com fitas rosa e azul, e, ao abrir, confronta o companheiro com peças de roupa infantil para simbolizar a acusação.
A partir daí, relata suposta vida dupla de Rafael e exibe impressos com trocas de mensagens e fotos que teriam sido retiradas do celular dele.
Segundo relatos de pessoas presentes, familiares no local disseram ter conhecimento de casos extraconjugais, o que incluiria a existência de um filho fora da relação.
Ao ser questionado se pretendia se defender, o homem faz gesto negativo com a cabeça. A origem da primeira postagem não foi identificada no processo.
Com a negativa judicial, o vídeo permanece disponível onde foi publicado e republicado.
A defesa mantém a intenção de buscar conciliação e reforça que o objetivo central segue sendo a remoção do conteúdo e a redução dos efeitos da exposição.
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Comentários (1)
Marcia Elizabeth Brunetti
28.08.2025 08:14Gostei da criatividade e do espírito da mulher traída.