Justiça condena operador de criptomoedas a 17 anos de prisão
Dante Felipini foi absolvido das acusações de financiar o grupo terrorista libanês Hezbollah
A Justiça Federal condenou o operador de criptomoedas Dante Felipini a 17 anos e cinco meses de prisão pelos crimes de evasão de divisas, organização criminosa e lavagem de dinheiro do crime organizado.
O magistrado, porém, absolveu o réu das acusações de financiamento ao terrorismo e falsidade ideológica.
“Posto isso, julgo parcialmente procedente a presente ação penal, para absolver o réu da acusação de prática dos delitos de falsidade ideológica, e de financiamento ao terrorismo″, escreveu o magistrado em sua sentença.
“Fixo a pena privativa de liberdade consolidada em 17 anos, 5 meses e 10 dias de reclusão, com regime inicial fechado, impondo, também, o pagamento de 61 dias multa, cada um deles equivalente a cinco vezes o salário-mínimo, tomando-se por base o valor vigente em outubro de 2023, devendo ser corrigido a partir de então”.
Operação Colossus
A sentença é resultado da Operação Colossus, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 2022, que investigou um esquema de evasão de criptomoedas responsável por movimentar cerca de R$ 61 bilhões.
Segundo a PF, Dante Felipini tinha ligações com o comerciante sírio naturalizado brasileiro Mohamad Khir Abdulmajid e com o médico libanês Hussein Abdallah Kourani.
Ambos foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) na 2ª fase da Operação Trapiche, que apura financiamento ao grupo terrorista libanês Hezbollah.
A defesa de Dante nega qualquer envolvimento com o terrorismo.
“A defesa de Dante Felipini vem trazendo desde o início deste processo que a acusação de vínculo com financiamento ao terrorismo ou mesmo com o grupo Hezbollah era injusta e que isso seria, como de fato o foi, esclarecido perante o Poder Judiciário. Portanto, a absolvição por esta imputação restabelece a verdade. Os outros pontos da sentença estão sendo analisados.”
Financiamento ao terrorismo
A Procuradoria da República, por outro lado, sustentou que Felipini agiu com dolo eventual, ou seja, assumiu o risco de financiar o terrorismo ao não se importar com a origem dos recursos enviados ilegalmente ao exterior.
Para o MPF, o operador teria executado transações financeiras para dissimular o dinheiro de organizações terroristas, utilizando sua empresa como intermediária, o que, na visão dos procuradores, configuraria contribuição indireta à prática de atos terroristas.
Ele estava preso desde que foi detido em 7 de janeiro de 2024, quando se preparava para embarcar para Dubai, onde estava morando
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