Justiça aceita denúncia contra ex-deputado TH Joias e mais quatro
TRF2 mantém prisões preventivas e envia ex-parlamentar para presídio federal por suspeita de ligação com o Comando Vermelho
Cinco pessoas, entre elas o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, tornaram-se réus nesta quinta-feira por integrar suposta organização criminosa vinculada ao Comando Vermelho.
A decisão partiu da 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), que aprovou por unanimidade a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) e determinou a transferência do ex-parlamentar para uma penitenciária federal.
Segundo o MPF, o grupo é investigado desde a Operação Zargun, voltada à apuração de um esquema de corrupção associado ao comércio ilegal de armas e drogas.
Além de TH Joias, foram denunciados Gabriel Dias de Oliveira (Índio), Luiz Eduardo Cunha Gonçalves (Dudu), o ex-secretário estadual Alessandro Pitombeira Carracena e o delegado federal Gustavo Stteel.
Atuação dentro de órgãos públicos
A investigação aponta que a facção mantinha aliados em posições públicas, incluindo a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e secretarias estaduais, para obter dados policiais e viabilizar operações ilícitas. Entre as práticas descritas estão a negociação de munições restritas — parte delas apreendida anteriormente pela polícia — e a intermediação de vendas de entorpecentes.
O MPF também relata que a organização importava de forma clandestina bloqueadores de sinal usados contra drones, equipamento cujo uso é vedado a pessoas físicas e empresas. Tais dispositivos, segundo a apuração, serviriam para atrapalhar o monitoramento de forças policiais durante ações em comunidades.
Papel de cada acusado
De acordo com o MPF, TH Joias comandava a rede de influência dentro da Alerj, com assessores responsáveis por negociações de armamento e drogas, além da acomodação de indicados da facção em seu gabinete. Ele responde por organização criminosa majorada, tráfico de drogas, contrabando, corrupção ativa e comércio ilegal de armas e munições.
Carracena, que passou pelas secretarias da Casa Civil e de Defesa do Consumidor, é acusado de repassar informações sigilosas em troca de favores. Já o delegado Stteel teria fornecido dados privilegiados e interferido em benefício do grupo, recebendo em contrapartida a nomeação da companheira para cargo público.
O processo foi desmembrado: o núcleo principal será julgado pelo próprio TRF2, enquanto outros nove denunciados — entre policiais militares, assessores e intermediários — responderão na primeira instância da Justiça Federal. A ação tramita sob o número 5014431-82.2025.4.02.0000.
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