Jovens cientistas de todo o país levam 297 projetos à USP
Da IA ao combate ao calor urbano, jovens pesquisadores de todo o Brasil apresentam soluções para problemas concretos na 24ª edição da Febrace
A Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) abriu suas portas nesta terça-feira, 17, no campus da Universidade de São Paulo (USP), no Butantã, zona oeste da capital paulista. Com 297 projetos finalistas, a 24ª edição da mostra reúne estudantes do ensino básico e técnico de todas as regiões do país. O evento é aberto ao público na quarta, 18, e na quinta-feira, 19, com entrada gratuita.
Considerada a maior feira pré-universitária de ciência e engenharia do Brasil, a Febrace conta neste ano com trabalhos que aplicam tecnologias como inteligência artificial, visão computacional, redes neurais e biossensores a questões de saúde, meio ambiente e infraestrutura urbana.
Os projetos concorrem a cerca de 300 prêmios, entre troféus, medalhas, bolsas e estágios. Nove deles serão selecionados para representar o Brasil na Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF) 2026, que ocorre de 9 a 15 de maio em Phoenix, no Arizona, EUA.
Saúde e tecnologia no centro das propostas
Entre os projetos da área de saúde, estudantes do Colégio Poliedro, de São José dos Campos (SP), desenvolveram uma luva equipada com sensores que detectam tremores involuntários e acionam motores de vibração para contrabalançar o movimento — voltada a pessoas com doença de Parkinson. Os testes foram realizados com uma paciente em um lar de idosos.
Duas alunas da Etec de Guarulhos (SP) criaram um sistema de IA que analisa sinais de eletroencefalograma (EEG) para antecipar crises epilépticas. Nos testes, o modelo identificou padrões cerebrais associados às crises com mais de 80% de acerto, a partir de sinais registrados até 30 minutos antes dos episódios.
Estudantes do Colégio Arena, de Goiânia (GO), propõem o diagnóstico de doenças da retina por smartphone. Um acessório impresso em 3D acoplado ao celular captura imagens sem necessidade de dilatação da pupila, que são então processadas por uma rede neural treinada para identificar alterações como papiledema e retinopatia hipertensiva.
Em Manaus (AM), alunos de três instituições — E.E. Estelita Tapajós, Fundação Matias Machline e IDAAM — projetaram um detector de arritmias cardíacas com custo estimado de R$ 800, contra os cerca de R$ 6 mil de um monitor Holter convencional. O sistema analisa o sinal do eletrocardiograma em tempo real por redes neurais e emite alertas automáticos.
Cidades, meio ambiente e inovação de baixo custo
Na área ambiental e urbana, um estudante da Escola Alef Peretz, morador de Paraisópolis, zona sul de São Paulo, construiu o Sistema Termoneblina com materiais reutilizados — garrafas PET, tubos de silicone e uma bomba submersa. O dispositivo libera névoa d’água para reduzir a temperatura local. Em testes de laboratório, a queda chegou a 2 °C.
Alunos da E.E. Prof. Celso Piva, de Guarulhos (SP), desenvolveram bueiros com sensores ultrassônicos e GPS para monitorar o acúmulo de lixo nas galerias de drenagem. Os dados são transmitidos pela internet a um painel de controle, permitindo que prefeituras programem a limpeza antes que os entupimentos causem alagamentos.
Estudantes do Colégio Técnico de Campinas (Cotuca-Unicamp) apresentam uma plataforma que combina dados históricos do Datasus com imagens de drones para prever surtos de dengue com semanas de antecedência. Quando o sistema identifica risco elevado, uma segunda IA analisa as imagens aéreas em busca de possíveis criadouros do mosquito.
Do Mato Grosso do Sul, alunos da Escola Municipal Lenita de Sena Nachif, de Campo Grande, trouxeram o BlueCheck — uma solução à base de azul de metileno, álcool e ácido cítrico que torna microplásticos visíveis ao filtrar amostras de água. Nos testes com fontes domésticas, cerca de 26% das amostras apresentaram contaminação.
Onde e quando?
FEBRACE 2026
Inova USP – Campus da USP
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 370 – Butantã – São Paulo (SP)
Dia 17 de março, das 8h30 às 16h30: mostra aberta exclusivamente para autoridades, avaliadores e imprensa.
Dias 18 e 19 de março, das 8h30 às 16h30: mostra aberta ao público e imprensa. A entrada é franca.
Dia 20 de março, das 14h às 18h: cerimônia de premiação.
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