Josias Teófilo na Crusoé: O eixo do conservadorismo brasileiro
O homem que ajudou a fundar o Brasil também inaugurou uma linhagem intelectual que atravessa dois séculos
Pouco se fala como o conservadorismo é mais recente que o seu oposto, o revolucionarismo ou radicalismo revolucionário. O conservadorismo nasceu como reação à Revolução Francesa e sua brutalidade revolucionária.
O Brasil foi diretamente afetado pela revolução e suas consequências.
Dona Maria I, mãe de Dom João VI, sofreu uma grave crise mental durante o período de radicalização da revolução, quando seus parentes, os reis da França, Luís XVI e Maria Antonieta, foram executados em praça pública.
Dona Maria I, que ficou conhecida como Maria, a Louca, era profundamente religiosa e monarquista, e a perseguição à Igreja Católica — que teve até depredação de catedrais góticas, como Notre Dame de Paris e Saint-Denis, onde os reis eram enterrados — provocou grande angústia na rainha, a ponto de perder a sanidade. Não é para menos!
A partir dessa época, Dom João XVI assumiu progressivamente o trono de Portugal (e do Brasil, consequentemente) e terminou por transferir a capital para o Rio de Janeiro, no contexto das invasões napoleônicas, também resultado da Revolução Francesa.
Mas a principal interseção entre a revolução e a história brasileira está num homem: José Bonifácio de Andrada e Silva.
Nascido em Santos em 1763, ele foi estudar na Universidade de Coimbra e em 1790, apenas um ano depois da tomada da Bastilha, iniciou uma viagem científica pela Europa, financiada pela Coroa portuguesa.
Chegou à capital francesa em plena agitação revolucionária, o que afetou até sua atividade acadêmica.
O curso de química que ele fez em Paris foi oferecido de forma condensada e em caráter particular, pois o professor dividia…
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