Josias Teófilo na Crusoé: O cinema como guia moral
O filme Família Addams representa uma família católica vista por protestantes
Filmes raramente servem como exemplo de comportamento ou moral.
Na realidade, é mais fácil vê-los normalizando comportamentos abomináveis, uma vez que o mau é o grande tema da arte.
Por vezes, a arte pode servir de contraexemplo, ou seja, mostrar aquilo que pode acontecer a quem erra, peca ou faz o mal — filmes de terror, especialmente dos anos 1980, costumam ser bem moralistas, na linha do “transou, morreu”.
Existe uma franquia de filmes que representa, na minha opinião, um guia de tudo que devemos ser. Trata-se de Família Addams.
Charles Addams, que criou a série original, concebeu uma inversão da família americana.
Em vez da casa suburbana, clara e funcional, uma casa sombria e tradicional.
Em vez do medo e a exclusão da morte da vida cotidiana, uma macabra familiaridade com ela.
Existe uma possível interpretação difundida por Alexandre Linck de que a Família Addams representa uma família católica vista por protestantes (já escrevi sobre isso aqui).
É, de fato, uma interpretação bem adequada. A casa ancestral, a importância da linhagem, os mortos presentes na vida doméstica, o casamento indissolúvel, a fecundidade, a ritualização da morte e até certo caráter barroco indicam uma sensibilidade católica e mediterrânea, em contraste com uma cultura americana mais protestante, burguesa e higienizada.
Mas o melhor dessa família é que eles não se deixam levar pelas modas da sociedade ao redor.
Eles se mantêm firmes à tradição. A casa é antiga e clássica. O carro é velho. O mordomo toca órgão. Eles enterram os antepassados no terreno do lar — como os antigos gregos e romanos.
Além disso, têm…
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