Josias Teófilo na Crusoé: Conversões em massa
Diante de uma cultura em declínio e de artistas em pregação moral, cresce um fenômeno inesperado: conversões em massa ao catolicismo
A cineasta Petra Costa no seu mais novo filme, Apocalipse nos Trópicos, faz uma reflexão confusa, em forma de ensaio, sobre o que considera a ascensão dos evangélicos na política brasileira.
O filme, que não se decide entre contar a história recente do Brasil e interpretar de modo apocalíptico o fenômeno do crescimento dos evangélicos na sociedade brasileira, sem conseguir disfarçar um preconceito arraigado, tem lá pelo final uma frase bastante sintomática.
Ela diz: “Pensei que a sociedade fosse evoluir para não precisar da religião, hoje noto que estamos no caminho oposto”.
Como até o relógio parado acerta duas vezes ao dia, nesse caso Petra Costa acertou.
Porém, eu não acho que os evangélicos sejam o elemento novo na sociedade brasileira.
Na realidade, um dos fenômenos que ela tenta representar, da ascensão dos evangélicos na periferia, tem sido bem representado desde o programa Documento Especial, passando mais recentemente por documentários de Eduardo Coutinho.
O elemento verdadeiramente novo, para mim, é a grande quantidade de conversões ao catolicismo, de pessoas que eu nem imaginava que voltariam para a Igreja.
E também o grau de viralização que o catolicismo tem conseguido na internet —cujo exemplo mais evidente são as lives do Frei Gilson rezando o terço às 4 horas da manhã, que junta mais de um milhão de espectadores, ou melhor, fiés.
Eu, que sou católico, tenho visto marxistas voltarem a frequentar a igreja, gente do meio artístico, ex-ateus, dançarina de TikTok, ex-pastor evangélico, ex-rosacruz, lutador de jiu-jutsu, ator da Globo, Narcisa Tamborindeguy etc.
Semana passada, estive tentando uma explicação para tantas conversões no meu entorno. E cheguei a alguns apontamentos.
Há exatos dez anos eu vinha a São Paulo para eventos culturais, concertos, óperas, mostras de cinema, para escrever para a Revista Continente. O cenário era completamente diferente do que é hoje: a vida cultural era melhor e mais desenvolvida.
As óperas no Theatro…
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Comentários (2)
Marian
27.07.2025 09:42Qual o problema da conversão religiosa? Cada um escolhe o seu caminho, isso é a evolução. E se fosse o caminho escolhido pelo regime?
Artur Scudeler Neto
27.07.2025 08:47Os vácuos são preenchidos. A igreja cobre o que o Estado não fornece e a fé cobre o que a ciência não explicou!