Josias Teófilo na Crusoé: As origens da hegemonia da esquerda na cultura
Getúlio Vargas teve uma atuação decisiva na imagem que o brasileiro tem da cultura do país, promoveu o samba, o Carnaval e o futebol
Não é exagero dizer que a política cultural brasileira foi criada por Getúlio Vargas e seu ministro, Gustavo Capanema, não obstante o ministério em si ter sido criado oficialmente apenas em 1985.
As instituições culturais foram alojadas primeiro no Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública, sob Vargas.
Depois foi criado o famoso MEC, Ministério da Educação e Cultura, em 1953, e ocupou o edifício Capanema, primeiro edifício modernista de grande porte no Brasil, concebido a partir de desenhos de Le Corbusier.
Getúlio Vargas teve uma atuação decisiva na imagem que o brasileiro tem da cultura do país, promoveu o samba, o Carnaval e o futebol como elementos de unificação.
Vargas iniciou um processo — que só cresceria nas décadas seguintes — de estatização da produção cultural, ao apoiar artistas, criar rádios, incentivar a produção de cinema em escala industrial.
Gustavo Capanema — o super ministro — teve à sua disposição alguns dos mais importantes artistas brasileiros, como Heitor Villa-Lobos, Carlos Drummond de Andrade, Humberto Mauro.
Era a chamada Constelação de Capanema — os gênios que ele atraiu, muito deles comunistas.
Começou aí a inserção de comunistas na instituições culturais, coisa que também só cresceria ao longo dos anos.
Até os militares, ferrenhamente anticomunistas, terminaram por cercarem-se de comunistas e socialistas na cultura.
A Embrafilme — empresa de cinema estatal criada pelos governos militares — produziu e distribuiu filmes de notórios comunistas, e esquerdistas, e até fundadores do PT — como Leon Hirszmann.
Com a redemocratização, dizer que alguém era direitista era considerado uma ofensa.
Enquanto parte da direita ocupara o Estado nos governos militares, a esquerda atuava na cultura.
Lei Rouanet
Quando Collor extinguiu a Embrafilme a produção cinematográfica brasileira simplesmente parou.
Mas ele criou a Lei Rouanet, que a princípio era usada para realização até mesmo de longas-metragens de ficção, como Central do Brasil, até a criação da Lei do Audiovisual, uma lei específica para o setor.
O PT foi fervorosamente contra a Lei Rouanet, e Sérgio Paulo Rouanet foi hostilizado pela esquerda, pois era considerada uma privatização da cultura.
Quando o Partido dos Trabalhadores chegou ao poder tentou de tudo para alterá-la e destruí-la, mas não conseguiu.
Com o estabelecimento do PT no governo, realizou-se uma série de editais no âmbito federal, estadual e municipal, com o sentido oposto à Lei Rouanet, cujos projetos não podem ser julgados pelo mérito cultural.
Assim, criou-se a chamada “cultura dos editais” injetando muito dinheiro no meio artístico, e atraindo uma grande quantidade de profissionais de outras áreas, como jornalismo e publicidade, que passaram a realizar projetos com dinheiro público — e que ficaram devendo ao PT sua inserção na área cultural.
Com a associação do petismo com as grandes empresas (as chamadas Campeãs Nacionais), passaram a dominar não só os editais mas também as leis de incentivo.
Transformaram os artistas que se opuseram à ditadura como representantes máximos da cultura brasileira.
E eles usaram e abusaram da posição que lhes foi dada: fazendo proselitismo em todas as oportunidades da pauta do momento, seja a favor de demarcação de terras indígenas, ou no “fora, Temer” ou do “ele, não”, e por aí vai.
Os comunistas ou socialistas — denominação que eles passaram a usar depois do fim da URSS, considerada mais branda — promovem a si mesmos, como se fosse uma maçonaria.
Além disso, perseguem os conservadores, e até os neutros e pessoas apolíticas. É a famosa patrulha ideológica, termo criado pelo cineasta Cacá Diegues.
Adicionou-se a isso um contexto internacional em que as grandes corporações assimilaram o identitarismo, a ideologia da moda da esquerda, que…
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