Josias Teófilo na Crusoé: A redescoberta de José Geraldo Vieira
Escritor tinha duas referências fundamentais: o estilo de Proust e o fluxo de consciência de James Joyce
Até entre especialistas em literatura brasileira um nome costuma passar despercebido.
Trata-se de José Geraldo Vieira.
O escritor, que chegou a ser bestseller na década de 1950, passou por décadas no ostracismo, seus livros chegaram a ser raridade, seu nome não era mencionado em artigos acadêmicos sobre a literatura brasileira.
E isso tudo não obstante ele ter sido colunista da Folha de S. Paulo, professor da faculdade Cásper Líbero, curador de arte, membro da Academia Paulista de Letras – em vida, teve uma atuação extremamente relevante, depois de morto foi sendo esquecido.
Os motivos do esquecimento são vários, e eles têm a ver com a recepção da sua obra.
Até hoje, se o leitor procurar o nome de José Geraldo Vieira no X vai ver comentários depreciativos: acusam os diálogos dos seus livros de serem artificiais, os personagens de usaram uma linguagem erudita, os períodos de serem muito longos e por vezes incompreensíveis, e por aí vai.
Essas críticas são justas? Não, de maneira alguma.
É preciso entender a obra de José Geraldo Vieira na sua linhagem imediata.
A obra do escritor não tem a característica despretensiosa da recente produção artística brasileira, resultado do que eu chamo de ditadura informalidade.
É uma obra que não tem medo de usar todo o repertório expressivo da língua, e a estilística de ponta da literatura mundial do seu tempo.
No caso, duas referências são fundamentais: o estilo de Proust e o fluxo de consciência de James Joyce.
A obra de Proust – a única obra, em sete volumes – tem por característica os períodos longuíssimos, as referências intelectuais e artísticas intrincadas, a memorialística, e as associações poéticas.
Todas essas características estão na obra de José Geraldo Vieira e são elas que causam estranhamento no ambiente cultural brasileiro das últimas décadas.
O outro instrumental essencial para José Geraldo Vieira é o fluxo de consciência, que ficou conhecido especialmente por causa do livro Ulisses, de James Joyce.
O fluxo da consciência é uma espécie de monólogo interior, com uma escrita livre e sem a estrutura de frases tradicionais em que impressões pessoais são expressas de modo não linear.
Não chega a ser uma leitura fácil.
O escritor pernambucano Fernando Monteiro, falecido recentemente, utilizou muito do fluxo de consciência nos seus livros, ele talvez tenha sido o escritor que levou mais longe esse método, e talvez tenha sido por isso que seus livros nunca foram muito populares.
A verdade é que é…
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