Josias Teófilo na Crusoé: A música clássica é elitista?

12.07.2026

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Josias Teófilo na Crusoé: A música clássica é elitista?

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 05.04.2025 08:00 comentários
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Josias Teófilo na Crusoé: A música clássica é elitista?

É mais barato assistir a uma ópera no Theatro Municipal ou um concerto na Sala São Paulo que assistir ao show do Emicida

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4 minutos de leitura 05.04.2025 08:00 comentários 1
Josias Teófilo na Crusoé: A música clássica é elitista?
Estátua de Carlos Gomes ao lado do Theatro Municipal. Reprodução/redes sociais

O cantor Emicida esteve nas manchetes dos jornais após acusar o irmão, Fióti, de desviar 6 milhões de reais da empresa que eles têm juntos, a Lab Fantasma, e de romper publicamente a parceria com ele.

Talvez por causa disso resgataram nas redes sociais comentários sobre o show que o cantor fez no Theatro Municipal de São Paulo.

Emicida gravou um show no teatro centenário.

Podia ser só mais um show feito por um cantor pop num lugar instagramável, mas ele precisou dar todo um ar de militância racialista à apresentação, transformada num especial da Netflix.

E ainda usou como título um trocadalho do carilho: “AmarElo” – toda a identidade visual do show usou o amarelo, já que sutileza não é o forte do pessoal da música pop.

A certo momento ele diz que quis fazer o show no teatro para ocupar espaços que “nos foram negados ao longo da história do país”.

Ou seja, segundo ele, o Municipal foi negado aos pretos.

Existe um texto publicado na Revista Internacional de Folkcomunicação em que o autor, Augusto Martins de Jesus, escreve o seguinte: “O que Emicida propõe em ‘AmarElo – É tudo pra ontem’ é reivindicar espaços de validação cultural injustamente interditados aos negros, como o Municipal”.

Ora, o Theatro Municipal de São Paulo nunca foi interditado a negros, nem metaforicamente.

Nunca existiram leis de segregação no Brasil – tais como as que existiram nos Estados Unidos até os anos de 1950.

O Brasil é o país mais miscigenado do mundo, e a diversidade sempre existiu no meio cultural: Machado de Assis, negro do Morro do Livramento, foi o maior escritor brasileiro, reconhecido em sua época, fundador da Academia Brasileira de Letras.

Aleijadinho era mulato. Até o Padre Antônio Vieira era descendente direto de negros.

Inspirado na ópera de Paris, o teatro foi construído entre 1903 e 1911, quando foi inaugurado.

Entre 1909 e 1910 o Brasil teve um presidente negro, Nilo Peçanha – em 1909 ele pessoalmente inaugurou o Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Não é concebível que negros não pudessem frequentar esses espaços.

Na verdade, foi a obra de um negro, Carlos Gomes, paulista de Campinas, que inaugurou o teatro – a abertura da ópera Il Guarani.

O rosto dele está esculpido em cima do palco e ao lado do teatro, virado para o Vale do Anhangabaú, está o conjunto escultórico a Carlos Gomes, feito no primeiro centenário da Independência.

Emicida, evidentemente, está criando um problema para vender a solução (típico de identitários) – o discurso de sua autopropaganda que chama de documentário é de que ele está trazendo os negros para ocuparem o teatro, quando na verdade eles nunca estiveram ausentes do espaço.

Por trás de todo esse discurso sobre o Municipal está um preconceito – que não chega nem a ser velado – contra a música clássica e lírica, considerada elitista. Na verdade, a música clássica é mais inclusiva do que a música popular, sob todos os aspectos.

É mais barato assistir a uma ópera no Theatro Municipal ou um concerto na Sala São Paulo que assistir ao show do Emicida ou qualquer outro músico pop.

Um concerto ou ópera varia entre 50 e 250 reais, no máximo.

Um show custa no mínimo 200 reais.

Uma dessas estrelas pop cobram centenas de milhares de reais para se apresentar, nunca menos do que isso.

Na Virada Cultural de 2024, Emicida cobrou 285 mil reais para apresentar-se.

Para se ter um parâmetro de comparação, o cachê daquele que era o maior violoncelista brasileiro, Antônio Meneses (falecido esse ano), era cerca de 50 mil reais por apresentação – e o dele era um dos maiores cachês.

Também os músicos de orquestra são mais includentes…

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Comentários (1)

Ita

06.04.2025 10:54

Temos que viver essas incoerências, ignorância e até burrice mas, como disse alguém: "melhor do que estar morto".


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