Jorge Messias é rejeitado pelo Senado e acolhido pela esposa
Advogado-geral da União abraça a mulher ao ver placar desfavorável no Plenário; é a primeira vez em mais de cem anos que um nome é rejeitado ao STF
Na sala da liderança do PT no Senado Federal, Jorge Messias acompanhava em silêncio os números no painel quando o resultado se tornou irreversível. Ao ver a derrota confirmada — 42 votos contrários contra 34 favoráveis —, o advogado-geral da União virou-se para a mulher e a abraçou.
A cena, registrada pelo Globo, sintetizou o fim de uma espera de mais de cinco meses desde que o presidente Lula o indicou para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
Um gesto, uma derrota histórica
O abraço aconteceu no momento em que o Senado consumava uma rejeição sem paralelo desde a redemocratização brasileira. Messias tornou-se o primeiro indicado ao STF a ser barrado pelo plenário desde o retorno da democracia ao país. O episódio anterior remonta a 1894, no governo Floriano Peixoto — 132 anos atrás.
Para chegar à Corte, o advogado-geral precisava de 41 votos favoráveis. Ficou sete abaixo. Horas antes, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) havia aprovado seu nome por 16 a 11, em sabatina marcada pela apreensão entre governistas. A aprovação na comissão, no entanto, não refletiu o humor do plenário.
O peso da espera
Messias aguardava a votação há mais de cinco meses. Desde a indicação de Lula, seu nome enfrentou resistências da oposição e, sobretudo, da cúpula do Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), nunca escondeu a preferência por Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga — e seu distanciamento do governo foi se aprofundando ao longo do processo.
Até a noite de terça-feira, 28, auxiliares do Planalto ainda tentavam arrancar um gesto público de apoio de Alcolumbre. Ele não veio. Na tarde do mesmo dia, Pacheco havia posado ao lado de Messias em evento que formalizou o apoio da bancada do PSB — um aceno tardio que não foi suficiente para virar o placar.
E agora, Lula?
A derrota impõe ao governo Lula um duplo desafio: preencher a vaga ainda em aberto no STF e administrar o desgaste com o Congresso a menos de seis meses das eleições. O abraço registrado na sala do PT ficará como imagem de um revés que, além de pessoal, marca um capítulo inédito na história recente do país.
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