Jerônimo Teixeira na Crusoé: Quatro instantâneos da inteligência artificial
Reflexões naturais sobre uma explosão nuclear virtual, um filme-catástrofe chato, um videoclipe divertido e um possível implante de memória
1 – Uma imagem falsa
Da varanda de um apartamento, vê-se um míssil caindo no horizonte. Um cogumelo de fogo emerge do chão. A legenda do vídeo informa que se trata de um ataque americano a uma usina nuclear iraniana. E questiona: será que a radiação vai se espalhar?
A explosão que não lança luz sobre objetos próximos, a paisagem urbana que não tem nada de iraniana, a forma esquisita do cogumelo atômico – tudo na imagem denuncia que ela foi produzida por inteligência artificial.
A despeito de seu uso tosco da tecnologia, o vídeo ganhou tração na internet. Uma matéria de checagem de fatos da Deutsche Welle informa que sua publicação original foi no TikTok, de onde se espalhou por outras redes (eu o vi no Threads).
O vídeo serve a diferentes mensagens: a cada vez que é republicado, muda o texto que o acompanha. Não dá para saber com que objetivo foi produzido.
Pode ser obra de um agente iraniano para sugerir que Estados Unidos e Israel fazem terrorismo nuclear.
Talvez tenha sido feito por um militante trumpista, para bravatear sobre o poderio militar americano, como o próprio Trump fez depois de bombardear instalações nucleares iranianas.
Ou foi criado por um desocupado que deseja bombar (trocadilho ruim, mas irresistível) nas redes. E esta última possibilidade é a mais desalentadora de todas.
Enquanto escrevo, há uma precária trégua entre Irã e Israel. A guerra foi breve – mas foi guerra. Tensões subiram. Bolsas caíram. Pessoas morreram.
E, no meio disso tudo, alguém achou que seria divertido criar uma imagem falsa de uma explosão nuclear no Irã.
2 – Um filme ruim
Não me diverti com Mountainhead, filme da HBO dirigido por Jesse Armstrong, criador da série Succession.
A história começa com um magnata da tecnologia – uma caricatura do já naturalmente caricato Elon Musk – que lança…
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