Jerônimo Teixeira na Crusoé: O país é uma palhaçada
O Brasil, que nunca foi sério, atingiu o ápice do achincalhamento político nesta semana que teve até “ocupação” do Congresso
Coisas sérias estão ocorrendo no Brasil. Mas é difícil levá-las a sério.
De negociações tarifárias a decisões judiciais sobre o ex-presidente que se tornou réu do STF, tudo cabe debaixo de uma lona de circo mambembe, tudo se converte em patacoada.
Os atores do nosso jogo político tentam se vender como figuras trágicas (o paladino da liberdade perseguido pelo vilão de toga) ou como heróis da pátria (o líder altivo que defende a soberania de seu povo contra o agressor ianque). Mas agem como bufões.
Isso não chega a ser novidade. Já há anos o Brasil já se encontra preso entre duas formas de populismo, e líderes populistas costumam ser desprovidos de senso do ridículo.
É o momento brasileiro que mudou. Instalou-se uma crise diplomática com os Estados Unidos, e o tarifaço de Donald Trump – uma das figuras mais histriônicas do novo populismo –, embora desidratado, ainda ameaça setores importantes da nossa economia.
Isso tudo é grave, é sério, mas nossos homens públicos estão de brincadeira.
Helena cômica de Copacabana
Depois que o processo contra Jair Bolsonaro foi citado por Trump como uma das razões para a salgada tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, o ex-presidente finalmente fez jus ao apelido de “mito”.
Personagem de besteirol perdido no centro de nossa tragédia econômica, Bolsonaro é a nossa Helena de Troia: a figura singular que precipitou seu povo em uma custosa guerra (tarifária, no caso brasileiro).
Helena foi “o rosto que lançou mil naus ao mar”, na definição do poeta e dramaturgo inglês Christopher Marlowe, um contemporâneo de Shakespeare.
Quando ela foi raptada pelo troiano Paris, os guerreiros gregos navegarem até Troia para recuperar a beldade fugitiva e vingar a ofensa contra seu marido, Menelau.
O rapto de Bolsonaro pela Justiça brasileira poderá ter o efeito contrário: navios que de outro modo estariam levando café ou minérios para os Estados Unidos ficarão no porto.
Como mandam as convenções da tragédia, Bolsonaro teve seu momento de hubris (o excesso ou arrogância que leva o herói à desgraça). Mas então o mito acabou esculachado pelo figurino.
Quando mandou, por celular, seu alô para seus seguidores reunidos em Copacabana, transgredindo as restrições impostas por Alexandre de Moraes, Bolsonaro estava…
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Comentários (1)
Lindberg Garcia
09.08.2025 09:50Parafraseando alguém de estatura crítica bem maior do que este humilde escrevinhador, digo que "nunca tantos fizeram tanto mal a tantos." Pobre Brasil, tão carente de estadistas e abundante de políticos que só pensam na próxima eleição.