Jerônimo Teixeira na Crusoé: Nikolas Ferreira em uma palavra
O deputado mineiro aprovou as novas políticas do governo Trump para vistos estudantis, mas acabou ridicularizando aquilo que queria defender
Uma só palavra às vezes contém toda uma concepção de mundo.
Uma só palavra, claro, não é uma palavra só. Seu significado último depende da frase em que está inserida, da circunstância em que é pronunciada ou escrita, da pessoa que a emprega, do público a que está destinada.
(Os policiais da linguagem não compreendem isso. Para eles, a palavra acusada de “crimes de ódio” será sempre odiosa, em qualquer contexto. Mas por hoje vamos deixar essa gente chata de lado.)
No meio da conversa bolsonarista sobre o embate de Trump com universidades americanas e seus estudantes estrangeiros, uma palavra captou minha atenção.
Foi um verbo conjugado na terceira pessoa do plural: “xinga”.
A hipocrisia
Já disse isso antes, e vale a pena repetir: a direita populista é hipócrita em sua defesa da liberdade de expressão.
Ela prega a liberdade apenas para as próprias ideias, como, aliás, faz a militância identitária que é seu perfeito contrário e seu necessário complemento.
Isso fica muito claro na recente investida do governo Trump contra estudantes universitários estrangeiros que porventura tenham criticado os Estados Unidos em rede social.
Novas diretrizes baixadas por Marco Rubio, secretário de Estado de Trump, mandam que esses vistos sejam negados.
Nos Estados Unidos, os ativistas que defendem seriamente a liberdade de expressão são contrários a essas medidas, que violam o espírito da Primeira Emenda à Constituição.
Por aqui, elas foram ovacionadas pelo bolsonarismo – que é, afinal, o trumpismo dos pobres.
X, de “xingar”
Eis como Nikolas Ferreira, combativo deputado do PL mineiro, pronunciou-se sobre o tema no X:
“Se o aluno fala mal dos EUA, xinga o Trump e odeia o capitalismo, que não tenha visto autorizado pra ir estudar lá mesmo não. Aplica pra estudar em Cuba.”
(Me dói nos ouvidos esse “aplica pra estudar”, derivação…
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Comentários (1)
Fabio B
07.06.2025 10:38Uma palavra define esse bostinha: OPORTUNISTA. Esse inútil vive só de lacração e viral, mas alguém consegue citar um único feito concreto dele no Congresso que tenha atrapalhado a esquerda ou avançado pautas reais da direita? Não existe. Esse parasita político não trabalha, apenas surfa nas ondas do algoritmo em busca de likes e curtidas. Fazer vídeo memético não é necessariamente um demérito, mas quando isso vira um fim em si mesmo, é sinal de que não há nada por trás. É marketing vazio disfarçado de ativismo. Um influencer de paletó, não um deputado.