Jerônimo Teixeira na Crusoé: A pátria dispensa traidores – e defensores
Sim, os bolsonaristas estão abertamente agindo contra o Brasil, mas não será o fervor patriótico que vai nos salvar do tarifaço de Trump
O gato Freddie veio se esfregar em meu braço logo que me sentei no sofá para começar a entrevista.
“Ele é um amigo da espécie humana”, disse o escritor israelense Amós Oz, feliz dono do bichano.
O gato do autor de A Caixa Preta e De Amor e Trevas não tem muito o que fazer aqui, admito. Só achei que seria uma maneira simpática de abrir o texto.
O também simpático felino guarda uma relação indireta com o tema antipático de hoje. Na entrevista que me concedeu em Tel Aviv em 2014, o dono de Freddie falou sobre um tema que entrou na ordem do dia no Brasil hoje: a traição à pátria.
Patriotas da outra pátria
O Brasil começou a falar em traição quando os bolsonaristas aplaudiram Donald Trump por exigir o fim do processo contra Jair Bolsonaro no STF como condição para não impor o tarifaço ao país.
No pronunciamento à nação do dia 17, Lula criticou os políticos que, sem se importar “com a economia do país e os danos causados ao nosso povo”, apoiaram o presidente americano em sua tentativa de livrar Jair Bolsonaro da cadeia.
“São verdadeiros traidores da pátria”, disse o presidente petista.
Não foi só Lula: na imprensa e nos meios políticos, até críticos contumazes do PT falaram em traição à pátria. Ouvi amigos antipetistas empregando a expressão antes do pronunciamento de Lula.
Só os patriotas bolsonaristas permanecem firmes na subserviência à sua matriz ideológica, o movimento MAGA. No ato de apoio a Bolsonaro que um punhado de deputados montou no Congresso há poucos dias, tremulou brevemente uma bandeira com os dizeres “Trump – Make America Great Again”.
Oz falava de uma categoria muito particular de traidor: o grande líder que por um equívoco da História é acusado de traição. Os bolsonaristas…
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