Jatinho ligado a Vorcaro usado por Moraes tinha espumante e taças de cristal
Legacy 650 tinha cozinha completa, lavabo privativo, bagageiro de grande porte e autonomia para voar até Miami
Espumantes, taças de cristal, cobertores de grife, cozinha completa e lavabo privativo. Esses eram alguns dos itens oferecidos no Legacy 650, jato ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Imagens divulgadas no último domingo, 20, mostram o casal desembarcando da aeronave em 22 de agosto de 2025, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O vídeo foi obtido e divulgado pelo jornal O Globo.
O Legacy 650 era apresentado pela Prime You como uma das aeronaves mais luxuosas de sua frota. Em material de divulgação, a empresa destacava a cabine equipada para oferecer conforto aos passageiros, com café da manhã servido à mesa, espumantes, uma cristaleira com taças de cristal e cobertores de uma marca de grife.
A aeronave tinha capacidade para 13 passageiros, além de três tripulantes, 26 metros de comprimento e 21 metros de envergadura. O modelo podia atingir 850 km/h e voar a até 41 mil pés.
Outro destaque era a autonomia de 6.780 quilômetros, suficiente para realizar um voo direto até Miami, nos Estados Unidos. O jato também contava com cozinha completa, lavabo privativo e um compartimento de bagagem descrito pela operadora como o maior da categoria.
A Prime You apresentava o Legacy 650 como uma aeronave de alto padrão de sofisticação. Em vídeos promocionais, a empresa destacava justamente os itens de luxo disponíveis na cabine.
Voo de Moraes
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, Moraes e Viviane utilizaram a aeronave em 22 de agosto de 2025. O desembarque no Santos Dumont foi registrado em vídeo.
A aeronave tinha o prefixo PP-NLR e estava ligada a uma empresa associada a Vorcaro.
O uso do jatinho ocorre em meio a informações sobre a relação entre o escritório de Viviane Barci de Moraes e empresas ligadas ao ex-controlador do Banco Master.
Segundo documentos da Polícia Federal, o escritório da advogada havia firmado, em maio de 2025, um contrato de prestação de serviços jurídicos no valor de até 50 milhões de reais com a Viking Participações, empresa representada por Vorcaro.
O acordo previa três anos de serviços. Parte dos honorários, segundo os documentos, poderia ser paga por meio de participações em empresas relacionadas a aeronaves.
O escritório Barci de Moraes, contudo, nega a existência desse segundo contrato.
Escritório confirma uso de aeronaves
Após a divulgação das imagens, o escritório Barci de Moraes confirmou que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas e que a Prime Aviation está entre as companhias utilizadas.
A banca afirmou que Viviane foi acompanhada pelo marido em determinados voos, mas negou que Vorcaro estivesse presente nas viagens.
“Em nenhum dos voos realizados em aeronaves da Prime Aviation com integrantes do escritório esteve presente Daniel Vorcaro ou qualquer outra pessoa alheia ao escritório”, afirmou o escritório.
Segundo a nota, a contratação dos serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos. A banca também afirmou que a escolha das aeronaves cabe às empresas de aviação contratadas.
O escritório declarou ainda que não possui contrato de prestação de serviços advocatícios com a Prime Aviation e que não realizou aquisição de cotas da empresa.
A divulgação das imagens também colocou o episódio em contraste com uma declaração anterior do gabinete de Moraes. Em março, o gabinete havia afirmado que o ministro “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”.
O caso voltou ao centro da crise envolvendo Moraes, Vorcaro e o Banco Master após a divulgação de documentos e imagens relacionados às relações entre o ex-banqueiro, autoridades públicas e o escritório de Viviane.
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