Itamaraty reclama de “decisão sumária” dos EUA contra agente da PF
Governo brasileiro adotou "reciprocidade" e retirou credenciais de representante americano
O Itamaraty informou nesta quarta-feira, 22, que convocou a encarregada de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos, Kimberly Kelly, para tratar da retirada do delegado Marcelo Ivo, da Polícia Federal (PF), do território americano.
Segundo a pasta, a diplomata foi informada na tarde de terça, 21, de que o Brasil adotará o princípio da reciprocidade diante do que classificou como uma “decisão sumária” do governo dos EUA. Além disso, o Itamaraty afirmou que não houve qualquer tipo de “pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo” no caso envolvendo Carvalho.
“A representante da embaixada norte-americana foi informada, também verbalmente, que o governo brasileiro aplicará o princípio da reciprocidade diante da decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso, como prevê o parágrafo 7.3 do memorando de entendimento bilateral que regula essa modalidade de cooperação bilateral“, afirma.
Segundo o Itamaraty, a “medida tampouco observa a boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação. Os termos da aplicação de reciprocidade foram também transmitidos verbalmente à representante da embaixada, e envolvem a interrupção imediata do exercício de funções oficiais de representante norte-americano de área homóloga em território brasileiro”, diz a nota.
Leia a íntegra do comunicado:
“Diante da confirmação da informação de que oficial de ligação da Polícia Federal brasileira junto ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), em Miami, foi comunicado verbalmente pelo governo dos Estados Unidos sobre a interrupção imediata de suas funções oficiais em território norte-americano, representante da embaixada daquele país foi convocada ao Ministério da Relações Exteriores no final da tarde de ontem, 21.
O agente brasileiro atuava com base em memorando de entendimento firmado entre os dois governos sobre a facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança.
A representante da embaixada norte-americana foi informada, também verbalmente, que o governo brasileiro aplicará o princípio da reciprocidade diante da decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso, como prevê o parágrafo 7.3 do memorando de entendimento bilateral que regula essa modalidade de cooperação bilateral.
A medida tampouco observa a boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação. Os termos da aplicação de reciprocidade foram também transmitidos verbalmente à representante da embaixada, e envolvem a interrupção imediata do exercício de funções oficiais de representante norte-americano de área homóloga em território brasileiro”, diz a nota.
Marcelo Ivo de Carvalho
Aliados do deputado cassado Alexandre Ramagem afirmam que Carvalho teria tentado contornar o pedido de extradição em curso para prender o ex-chefe da Abin em solo americano.
Em reação, o Departamento de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos anunciou a expulsão de Carvalho, mas sem citá-lo nominalmente.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território dos EUA. Hoje, solicitamos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso”, diz o texto compartilhado pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.
Contradições
Ramagem foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) na última segunda-feira, 13, por questões migratórias.
Após a prisão, a Polícia Federal disse que a prisão do ex-deputado ocorreu no âmbito de uma “cooperação policial internacional” entre o órgão brasileiro e o ICE.
“A Polícia Federal informa que um brasileiro condenado pelo Supremo Tribunal Federal foi preso, nesta segunda-feira (13/4), em Orlando/ Flórida, pelo U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) dos Estados Unidos da América (EUA). A prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e as autoridades policiais dos EUA. O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, de golpe de Estado e de tentativa de abolição violenta do Estado de Direito.”
A soltura de Ramagem, dois dias depois da detenção, contraria a versão da Polícia Federal, que falou em “cooperação policial internacional” com o ICE, o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas.
O ex-parlamentar deixou o Brasil em setembro de 2025 de forma clandestina.
Ele teve o passaporte diplomático após a cassação de seu mandato pela Câmara dos Deputados do Brasil, em dezembro de 2025.
Leia também: “Retirei as credenciais do servidor dos EUA”, diz diretor-geral da PF
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