Itamaraty exige respostas de Israel sobre detenção de ativistas
Governo convoca representante da embaixada israelense para explicar tratamento dado a membros de flotilha interceptada no Mediterrâneo
O governo brasileiro convocou o representante da embaixada de Israel no país para prestar esclarecimentos formais após a divulgação de imagens que mostram ativistas detidos em posição de subjugação, com as mãos amarradas e a fronte encostada no chão.
O episódio registrado na quarta-feira, 20, e tornado público pelo ministro da Segurança Nacional israelense, Itamar Ben-Gvir, provocou repercussão diplomática em múltiplos países e atingiu diretamente o Brasil, que tem quatro nacionais entre os cerca de 430 integrantes da flotilha interceptada pelas forças de Tel Aviv em águas internacionais do mar Mediterrâneo.
Convocação e contexto bilateral
Rasha Athamni, que comanda a embaixada israelense em Brasília desde outubro de 2025 na condição de encarregada de negócios — posto que ocupa pela ausência de um embaixador titular —, foi chamada ao Itamaraty para uma reprimenda formal.
A ausência do cargo de embaixador reflete, por si só, o estado da relação bilateral: Israel chegou a indicar o diplomata Gali Dagan para a função, mas o nome não recebeu aprovação do Palácio do Planalto. O Brasil, da mesma forma, também não mantém embaixador em Tel Aviv desde o início de 2024.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o Brasil considera ilegal tanto a interceptação das embarcações quanto a detenção de seus tripulantes.
Em nota, o Itamaraty afirmou que “reitera seu repúdio à interceptação, em águas internacionais, das embarcações integrantes da flotilha e à detenção de seus participantes — ambas ações ilegais” e exigiu “libertação imediata de todos os ativistas detidos, incluindo de quatro cidadãos brasileiros, assim como pleno respeito a seus direitos e a sua dignidade”.
Os brasileiros e o desfecho da detenção
Os quatro nacionais identificados na flotilha são Beatriz Moreira, militante do Movimento de Atingidos por Barragens; Ariadne Teles, advogada e coordenadora da Global Sumud Brasil; Thainara Rogério, desenvolvedora de software; e Cássio Pelegrini, médico pediatra. Nesta quinta-feira, 21, o governo israelense informou que deportou todos os estrangeiros detidos após a ação.
A reação internacional ao vídeo de Ben-Gvir foi ampla. De acordo com informações da Folha de S.Paulo, Reino Unido, França, Polônia, Itália, Bélgica, Canadá, Coreia do Sul, Espanha, Irlanda e Turquia emitiram críticas formais.
O embaixador americano Mike Huckabee, representando um tradicional aliado de Israel, também condenou o episódio, afirmando que Ben-Gvir “traiu a dignidade” do país. O próprio premiê Benjamin Netanyahu se distanciou publicamente da conduta de seu ministro.
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