Isso a Globo não mostra!
‘Biografia’ da emissora carioca tem primeiro volume lançado; outros dois serão publicados no ano que vem
A história da Globo, sem viés ideológico e sem tratamento “chapa-branca” – assim garante o autor, Ernesto Rodrigues – começa a ser contada com o lançamento do primeiro volume de sua ‘biografia’: A Globo: Hegemonia – 1965-1984, publicada editora Autêntica. Outros dois estão previstos para o ano que vem.
O jornalista revirou os arquivos da emissora, Memória Globo, à procura de material inédito, depoimentos, entrevistas e o que mais pudesse interessar nas diversas áreas da empresa, da política ao esporte, da teledramaturgia à propaganda. O resultado é um calhamaço que para em pé: 672 páginas só pra começar.
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A Globo no paredão
Páginas e mais páginas à parte, se a imagem da Globo na história recente do país também parará em pé, o leitor, os pesquisadores e a audiência terão que decidir.
O fato é que a TV Globo, emissora carioca fundada pelo jornalista e empresário Roberto Marinho em abril de 1965, é uma potência da comunicação brasileira, a ponto de estabelecer parâmetros que se tornariam sinônimo de qualidade – o “padrão Globo” – ou de inflexibilidade; difundir gostos e modas, exportar novelas e comportamentos, homogeneizar preferências e hábitos linguísticos.
As controvérsias não foram poucas, e continuam a ser muitas. Acusada de tendências direitistas pela esquerda e cada vez mais de valores esquerdistas pela direita, a Globo se posicionou – ou se equilibrou – como pôde durante o regime militar.
Mocinho ou bandido?
A simpatia inicial de Roberto Marinho pela ‘Revolução’ de 64, a propósito, seria ironicamente usada por Jair Bolsonaro, ele próprio um entusiasta do regime, na campanha à eleição de 2018. Com a redemocratização e o tímido e progressivo mea culpa do Grupo Globo pelo apoio ao Golpe de 1964, a empresa foi ganhando os contornos que têm hoje: uma influente, maleável e sobretudo poderosa organização de mídia no país.
De acordo com o escritor Ernesto Rodrigues, em entrevista à Folha de S.Paulo, não existem “mocinhos” ou “bandidos”, mas pessoas e relações históricas complexas, que correspondem ao contexto e não poderiam ser facilmente julgadas à luz dos mesmos critérios: “Têm pessoas que tomam atitudes edificantes em alguns momentos e atitudes nem tão edificantes em outros, em todas as áreas, inclusive jornalismo e entretenimento”.
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