“Irmãos” dos flamingos voltam a aparecer nos céus de Florianópolis após 200 anos
O retorno do guará aos céus de Florianópolis vem chamando a atenção de pesquisadores e moradores
O retorno do guará aos céus de Florianópolis vem chamando a atenção de pesquisadores e moradores, pois a presença de um grande bando em áreas de manguezal da ilha é vista como possível indicativo de melhoria nas condições ambientais locais e de recuperação de ambientes costeiros.
Quem é o guará e quais são suas principais características
O guará (Eudocimus ruber) é uma ave de médio porte, de pernas e pescoço alongados, bico comprido e curvado para baixo, com plumagem vermelha escarlate em indivíduos adultos.
Essa cor intensa está ligada à alimentação rica em crustáceos e outros invertebrados de manguezais, que fornecem carotenoides responsáveis pela coloração.
Filhotes e jovens apresentam coloração mais escura ou acastanhada, que se torna vermelha com a idade.
Embora seja frequentemente comparado ao flamingo, o guará é mais próximo de garças e colhereiros, forrageando em águas rasas e lodo em busca de pequenos animais, o que o torna peça importante na cadeia alimentar dos manguezais.
Guarás reaparecem em Florianópolis após mais de 200 anos
— 🌻Catharina 🇧🇷🇮🇱🇺🇸🇦🇷 (@Cathari74) November 24, 2019
Essa espécie de ave não aparecia na Ilha desde 1773. O grande grupo de aves foi visto próximo ao Manguezal do Itacorubi, no Saco dos Limões, Daniela, Estação Ecológica de Carijós e na Reserva do Pirajubaé. pic.twitter.com/Et28upIUXO
Por que o guará voltou a Florianópolis recentemente
A volta do guará a Florianópolis vem sendo associada à melhoria das condições ambientais em manguezais da ilha, após décadas de aterros, ocupações irregulares e poluição que reduziram a disponibilidade de alimento e áreas de descanso.
A criação de unidades de conservação a partir do fim dos anos 1980 contribuiu para maior proteção e manejo desses ecossistemas.
Pesquisadores apontam que o desaparecimento histórico da espécie no litoral sul também se relaciona à caça para uso de penas, à contaminação de baías e rios e à degradação generalizada de áreas úmidas.
O registro de bandos numerosos em locais como o manguezal do Itacorubi indica condições mais favoráveis, embora ainda seja cedo para afirmar se haverá recolonização permanente ou apenas uso sazonal da região.
Qual é o papel dos manguezais para a sobrevivência do guará
O guará depende diretamente de manguezais, estuários e áreas alagadas costeiras para se alimentar, pois esses ambientes funcionam como viveiros naturais para crustáceos, pequenos peixes e moluscos que compõem sua dieta.
A degradação desses espaços, por aterro ou poluição, reduz a oferta de alimento e altera rotas de deslocamento da espécie.
Além de essenciais para o guará, os manguezais desempenham múltiplas funções ecológicas e de proteção costeira, que ajudam tanto a biodiversidade quanto as comunidades humanas locais:
- Servem de berçário para peixes e crustáceos de interesse econômico;
- Atenuam a força de marés, ressacas e eventos extremos;
- Retêm sedimentos e parte dos poluentes carreados pelos rios;
- Armazenam grandes quantidades de carbono em solos e raízes.
Como o retorno do guará indica a qualidade ambiental dos manguezais
A presença de bandos numerosos de guará costuma ser interpretada como um indicador de equilíbrio mínimo entre oferta de alimento, tranquilidade para descanso e qualidade da água.
Quando manguezais são menos impactados, tende a haver maior abundância de invertebrados e peixes, favorecendo a permanência das aves.
Especialistas avaliam que a observação contínua da espécie em Florianópolis pode servir como ferramenta de monitoramento da saúde ambiental local.
No entanto, a manutenção desse cenário depende de políticas públicas consistentes, controle da ocupação costeira e fiscalização efetiva em áreas protegidas.
De que forma o guará se relaciona com turismo e observação de aves
A reaparição do guará em Florianópolis impulsiona o turismo de observação de aves, atividade em crescimento no Brasil e capaz de gerar renda para comunidades locais.
Roteiros específicos podem ser organizados em épocas de maior ocorrência da ave, desde que se respeitem limites de aproximação para evitar estresse aos bandos.
Experiências em outras regiões mostram que a combinação entre conservação e turismo planejado traz benefícios ambientais e econômicos.
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