Indústria teme que atuação de Flávio nos EUA dificulte negociação sobre tarifas
Senador participa de audiências sobre a sobretaxa a produtos brasileiros e deve se pronunciar nesta segunda-feira, 6, enquanto empresários defendem que o debate permaneça no campo técnico
A participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas audiências realizadas nos Estados Unidos sobre a possível elevação das tarifas de importação para produtos brasileiros é acompanhada com cautela por representantes da indústria nacional. O parlamentar já está em território americano e deve se pronunciar nesta segunda-feira, 6, durante um dos painéis que discutem a proposta de sobretaxação. Nos bastidores, o receio é de que a disputa política acabe comprometendo uma negociação que o setor produtivo tenta manter em bases estritamente técnicas.
As audiências reúnem representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e de segmentos diretamente afetados pela medida, como o agronegócio e a indústria calçadista.
A principal preocupação da indústria é evitar que o debate comercial seja contaminado pelo embate político entre governo e oposição. A avaliação de empresários é que transformar a discussão em uma disputa ideológica pode reduzir as chances de convencer autoridades americanas a rever a proposta de aumento das tarifas.
A estratégia da CNI tem sido demonstrar que diversos produtos exportados pelo Brasil são essenciais para cadeias produtivas dos Estados Unidos e, em muitos casos, não possuem fornecedores alternativos capazes de atender à demanda. Dessa forma, a sobretaxação também provocaria aumento de custos para empresas e consumidores americanos.
Segundo levantamento da CNI, cerca de 4 mil produtos brasileiros poderão ser atingidos caso a medida seja implementada. O impacto potencial é estimado em aproximadamente 15 bilhões de reais em exportações.
Além da tarifa adicional de 25%, alguns produtos brasileiros poderão enfrentar uma carga tarifária total de até 37,5%. Diante desse cenário, representantes da indústria defendem que as negociações permaneçam concentradas em argumentos econômicos e comerciais, preservando o diálogo técnico com autoridades americanas em um momento considerado decisivo para o setor exportador brasileiro.
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