Imposto de importação pode render até R$ 20 bi ao governo
IFI projeta arrecadação bilionária com taxação de mais de 1.200 produtos; instituto questiona se proteção é o real objetivo da medida
O aumento do Imposto de Importação sobre bens de capital, informática e telecomunicações deve gerar entre R$ 14 bilhões e R$ 20 bilhões aos cofres públicos em 2026. A estimativa consta no Relatório de Acompanhamento Fiscal de fevereiro, divulgado pela Instituição Fiscal Independente (IFI) nesta quinta-feira, 26.
A lista de produtos com tarifas elevadas inclui mais de 1.200 itens: máquinas, componentes eletrônicos, computadores, celulares, roteadores, servidores, equipamentos médicos, agrícolas e de construção, entre outros.
Arrecadação imediata, indústria no futuro
O relatório da IFI aponta que, desde 2023, o governo federal tem adotado aumentos pontuais de tributos para lidar com o que o documento chama de “estrangulamento fiscal”.
Integrantes do governo justificam a medida como política de proteção à indústria nacional. A IFI, no entanto, coloca em dúvida essa narrativa ao observar que os dois efeitos da medida não ocorrem no mesmo prazo.
“O efeito arrecadatório é imediato, já a substituição de produtos e insumos importados por produção nacional, se ocorrer, se dará a médio e longo prazos”, afirma o documento.
O instituto registra ainda que porta-vozes do governo têm minimizado o impacto fiscal da medida – postura que contrasta com as projeções bilionárias do próprio relatório.
Controvérsia sobre protecionismo
A IFI também questiona a eficácia histórica do protecionismo tarifário como motor de industrialização no Brasil. O tema, segundo o documento, divide especialistas e não encontra respaldo em evidências empíricas mais recentes.
O relatório menciona os resultados iniciais das tarifas impostas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como exemplo.
“O efeito industrializante de medidas protecionistas, via tarifas de importação, ao longo da história econômica brasileira, é ponto controverso na literatura especializada e contradita evidências empíricas recentes, como os resultados iniciais do tarifaço adotado pelo governo do presidente Donald Trump alcançados pela economia americana”, conclui o texto da IFI.
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