ICE informa à PF que Ramagem pode aguardar processo de asilo em liberdade
Ex-deputado federal diz ter sido detido por "questão migratória"; Liberação ocorreu na quarta, 15
O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) informou à Polícia Federal (PF) que o deputado federal cassado Alexandre Ramagem (foto) poderá aguardar em liberdade, nos Estados Unidos, a conclusão do processo de pedido de asilo político.
Segundo o G1, a informação foi repassada em reunião realizada nesta quinta-feira, 16. O encontro já estava agendado antes da soltura de Ramagem.
A expectativa do governo federal era que o ex-parlamentar ficasse preso durante negociações sobre uma eventual vinda para o Brasil, já que ele está foragido no país.
Autoridades brasileiras chegaram a preparar um documento para acelerar o processo de deportação de Ramagem. O material seria encaminhado ao Enforcement and Removal Operations (ERO), setor responsável por detenções relacionadas a violações das leis de imigração nos Estados Unidos.
Com a cooperação entre as autoridades policiais, o Brasil também pretende atuar para impedir a concessão de asilo político ao ex-deputado, que já formalizou o pedido.
Questão migratória
Em vídeo divulgado nesta quinta, 16, Ramagem afirmou ter sido detido por questões migratórias, e não por irregularidade relacionada à trânsito.
“Eu entrei nos Estados Unidos em setembro do ano passado de forma perfeitamente regular, passaporte válido, visto válido e sem condenação nenhuma. Em seguida, nós entramos com pedido de asilo que, eu e a Rebeca [Ramagem] estudamos detalhadamente. Nós cumprimos os requisitos, estamos dentro de todos os procedimentos, de todas as respectivas fases, o que nos confere o status de permanência regular nos Estados Unidos.”
Segundo Ramagem, a liberação ocorreu na quarta, 15, de forma administrativa.
“A minha liberação então acabou sendo administrativa, sem necessidade qualquer pleito, qualquer procedimento judicial, não houve nem pagamento de fiança, que é comum nesses casos migratórios. Ou seja, eu não apenas estou absolutamente com situação regular, como eu não estou me escondendo aqui nos Estados Unidos. Meu endereço é conhecido da administração pública americana e também das contratações privadas de serviços. Minhas filhas estão regularmente matriculadas e cursando escola pública da Flórida.”
“Polícia de jagunços”
Ramagem também criticou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a quem atribuiu a articulação de sua detenção por autoridades americanas. Segundo ele, a corporação se tornou uma “polícia de jagunços”.
“Quem está demonstrando que pode estar sorrateiro aqui não sou eu, o adido da Polícia Federal que venha falar comigo de frente, que eu não tenho nada para esconder. Muito pelo contrário, essa nossa Polícia Federal de outrora com tanto credibilidade se tornou o quê?
Uma polícia de jagunços desse diretor geral, Andrei Rodrigues, que declarou haver uma cooperação policial internacional contra uma situação de completa regularidade, uma vergonha de diretor geral, tem que ser afastado imediatamente das funções.
É o mesmo que chamou os presos do 8 de janeiro de terroristas, que fez aquela fala desprezível, queria pedir ao Guinness para computar o recorde de prisões, mas que não quer classificar facções como PCC e Comando Vermelho como terroristas”, afirmou.
Caso Ramagem
Ramagem foi liberado na quarta, 15, após ficar tido desde a segunda-feira, 13, em um centro de detenção do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), em Orlando, nos Estados Unidos.
O deputado cassado foi parado por agentes do ICE por irregularidades migratórias.
Segundo o site Metrópoles, o nome de Ramagem já não aparece mais na base oficial de custódia do sistema americano, que reúne informações atualizadas sobre detidos.
O ex-parlamentar deixou o Brasil em setembro de 2025 de forma clandestina, após ser condenado no julgamento da trama golpista, ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros aliados.
Ele teve o passaporte diplomático após a cassação de seu mandato pela Câmara dos Deputados do Brasil, em dezembro de 2025.
Naquele mesmo mês, o Ministério da Justiça do Brasil formalizou o pedido de extradição, encaminhado à Embaixada do Brasil em Washington e posteriormente ao Departamento de Estado americano.
Leia mais: Ramagem diz estar regular nos EUA e chama PF de “polícia de jagunços”
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