Ibaneis garante não temer delação de Vorcaro
Governador do DF anuncia saída do cargo para disputar o Senado enquanto investigações sobre a tentativa de compra do Banco Master avançam
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), declarou nesta quarta-feira, 25, não temer uma eventual colaboração premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Abordado por jornalistas na chegada a um evento da Confederação Nacional do Comércio, foi direto: “De modo algum”.
O emedebista confirmou que deixará o Palácio do Buriti no sábado, 28, para viabilizar sua candidatura a uma das duas vagas ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições de outubro.
O escândalo e as investigações
O Governo do DF, principal acionista do BRB (Banco de Brasília), tentou adquirir o Banco Master em operação que acabou vetada pelo Banco Central. A instituição financeira foi liquidada em novembro de 2024. Segundo apuração da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, o BRB comprou aproximadamente R$ 12 bilhões em carteiras de crédito apontadas como fraudulentas.
Auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) identificou indícios de que o BRB agiu sem a devida cautela ao insistir na operação, mesmo depois de o Banco Central ter sinalizado irregularidades na cessão de carteiras de crédito entre as duas instituições.
Ibaneis disse desconhecer o teor da decisão. “Infelizmente, eu não conheço a decisão do TCU. Não conheço o teor. Mas essa é uma conduta que certamente será observada pelo Judiciário, que está acompanhando o caso. Vamos aguardar o desenrolar”, afirmou o governador.
O escritório de advocacia de Ibaneis teria recebido R$ 85 milhões em honorários de fundos vinculados ao Master e à Reag — empresas investigadas por suposta participação em esquema de fraudes financeiras articulado por Vorcaro, segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo.
Convocação e mensagens comprometedoras
Ibaneis também foi citado em mensagens extraídas do celular de Vorcaro. Em um dos diálogos, o ex-banqueiro menciona, em conversa com a então noiva Martha Graeff, que os dois se reuniram para combinar “uma estratégia de guerra”. O governador admitiu os encontros, mas negou ter discutido o assunto BRB-Master nessas ocasiões.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do crime organizado no Senado, informou que Ibaneis será convocado a depor assim que encerrar o mandato, em 28 de março. A CPI investiga possíveis conexões entre o esquema financeiro e grupos criminosos organizados.
Com a saída do cargo, Ibaneis perde a proteção do foro privilegiado no Superior Tribunal de Justiça, o que pode ampliar o alcance das investigações em curso sobre sua atuação no caso.
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