Homem quebra piso da cozinha durante reforma e encontra tesouro escondido há quase 400 anos com mil moedas de ouro e prata da Guerra Civil Inglesa
Coleção enterrada durante a Guerra Civil Inglesa ficou intacta por quase quatro séculos sob uma casa em Dorset.
Uma picareta, um piso antigo e um segredo enterrado há quase quatro séculos. Quando Robert Fooks decidiu rebaixar o chão da cozinha de sua casa de campo em Dorset, na Inglaterra, não esperava encontrar nada além de terra. O que veio à tona foi um tesouro da Guerra Civil Inglesa — cerca de mil moedas de ouro e prata escondidas em meados de 1640 e nunca recuperadas pelo dono original.
Uma reforma de cozinha que virou escavação histórica
O casal Robert e Betty Fooks comprou a propriedade em 2019 e iniciou uma reforma completa na casa de campo de 400 anos. O plano era simples: remover o piso moderno e escavar quase 60 centímetros para ganhar altura no andar térreo. Em determinada noite, enquanto Betty estava com as crianças, Robert golpeou o chão com uma picareta e atingiu algo inesperado — uma tigela de cerâmica vidrada, enterrada sob lajes antigas e terra nua.
Dentro da tigela, intocadas desde a década de 1640, estavam aproximadamente mil moedas de ouro e prata. Robert as colocou em um balde. Betty resumiu o que veio depois com uma lucidez desconcertante: se o casal não tivesse decidido rebaixar o piso, o tesouro ainda estaria lá — à espera de alguém que nunca voltou.

Quais moedas estavam na tigela e o que elas representam
O achado ficou conhecido como Tesouro de Moedas de Poorton. A coleção abrange cinco reinados diferentes e reúne peças que contam a história monetária da Inglaterra pré-republicana. Entre os itens identificados pelo Museu Britânico, que recebeu as moedas para limpeza e catalogação, estavam:
| Monarca / Período | Tipo de Moeda | Detalhes e Conservação |
|---|---|---|
| Jaime I e Carlos I | Moedas com rostos reais; inclui unidade de 20 xelins. | |
| Elizabeth I | Meias coroas, xelins e moedas de seis pence. | |
| Filipe e Maria | Peças Cunhadas | Moedas datadas do reinado conjunto. |
| Diversos (Circulação Longa) | Moedas de seis pence desgastadas; uso por gerações antes do soterramento. |
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Por que alguém enterrou uma fortuna e nunca voltou para buscá-la
A equipe do Museu Britânico determinou que as moedas foram depositadas em um único momento, entre 1642 e 1644 — exatamente os anos iniciais da Guerra Civil Inglesa. Naquele período, enterrar economias não era precaução: era sobrevivência. Soldados de ambos os lados invadiam propriedades, confiscavam alimentos e se apoderavam de tudo que tivesse valor.
Dorset ficava na rota dos movimentos de tropas durante todo o conflito. Em povoados pequenos como Poorton, os moradores pouco podiam fazer além de esconder o que tinham e esperar. A guerra terminou com a execução de Carlos I em 1649 e uma república de 11 anos. Muitos que enterraram suas economias não sobreviveram para desenterrá-las. A tigela de cerâmica quebrada por Robert Fooks era um desses esconderijos — lacrado e esquecido pela história.

Quanto o tesouro valeu no leilão quatro séculos depois
Após a catalogação, as moedas foram devolvidas à família Fooks. Em 23 de abril de 2024, a casa de leilões Duke’s Auctioneers colocou a coleção à venda com estimativa inicial de £ 35.000. Os lances superaram em mais do dobro essa previsão: o conjunto foi arrematado por aproximadamente £ 60.740 — cerca de R$ 409.900. Uma única moeda de ouro de Carlos I foi vendida sozinha por £ 5.000.
Julian Smith, especialista da Duke’s Auctioneers, detalhou as condições do achado: sob o concreto moderno havia lajes antigas, mas na área exata onde as moedas estavam o chão era terra nua — o que preservou a tigela por quase 400 anos sem que ninguém a perturbasse.
O que uma tigela quebrada nos diz sobre quem viveu antes de nós
O Tesouro de Moedas de Poorton agora faz parte da história documentada de um país dividido pela guerra civil. Seu valor está no metal, nas marcas dos reis e rainhas gravadas em cada face — mas também no silêncio entre o enterro na década de 1640 e o golpe de picareta em 2019. Há algo de profundamente humano nessa história: alguém protegeu tudo que tinha, escondeu com cuidado e não pôde mais voltar.
Se você tem paredes antigas, um porão não mapeado ou um piso que nunca foi tocado, talvez valha a pena pensar duas vezes antes de reformar — ou justamente reformar com atenção redobrada. O passado às vezes está literalmente sob nossos pés, esperando pelo momento certo para vir à tona. O que Robert Fooks encontrou não era apenas ouro. Era uma vida interrompida, preservada por quatro séculos de silêncio.
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