Homem é preso no ES após relatar ao ChatGPT plano de matar filho
“Queria saber de onde vem essa vontade de matar as pessoas”, relatou o suspeito em conversas com a IA
Um alerta da OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, deu início a uma cooperação entre autoridades dos Estados Unidos e do Brasil que resultou na prisão de um homem de 36 anos suspeito de planejar matar o próprio filho e promover ataques contra escolas, igrejas e autoridades no Espírito Santo.
Segundo a Polícia Civil, a OpenAI comunicou o conteúdo das conversas ao FBI, que repassou as informações ao CyberLab, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O órgão encaminhou o caso à Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), responsável pela investigação.
De acordo com a polícia, o suspeito utilizava o ChatGPT como um diário, registrando planos para contratar um pistoleiro para matar o filho de 8 anos, além de manifestar intenção de realizar ataques para provocar “o maior número de vítimas possível”.
As investigações apontam que o homem também relatava possuir arma de fogo, corda e cianeto e indicava que os crimes seriam executados em 20 de junho.
O alerta chegou às autoridades brasileiras no dia 16, e a prisão preventiva foi cumprida no dia 19.
“Recebemos essa denúncia no dia 16. No dia 19 cumprimos os mandados e evitamos que um mal maior ocorresse”, afirmou o delegado Ícaro Olímpio.
Segundo a investigação, a motivação para matar o filho estaria ligada à cobrança de pensão alimentícia.
Conversas com o ChatGPT
O agricultor admitiu ter feito as pesquisas, mas negou que pretendesse colocar os planos em prática.
Segundo a Polícia Civil, as mensagens enviadas pelo homem à ferramenta indicavam intenção de violência extrema. Em um dos trechos obtidos pelo g1, ele afirmou que pretendia contratar um pistoleiro:
“Tentei contratar um pistoleiro por R$ 50 mil para cometer o assassinato”, segundo a investigação.
Em outros diálogos, o suspeito mencionava instrumentos que teria em posse, como arma de fogo, corda e cianeto. Ele também relatava fantasias de ataques violentos: “Essa semana pensei em pegar a arma e matar uns dois policiais perto do batalhão”.
Em outra passagem citada pelos investigadores, o agricultor escreveu: “Queria saber de onde vem essa vontade de matar as pessoas. Eu gosto de ver outra pessoa sofrer”.
Segundo a Polícia Civil, este é o primeiro caso no Espírito Santo iniciado após comunicação de uma plataforma de inteligência artificial às autoridades e apenas o terceiro registrado no Brasil com esse tipo de cooperação.
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