“Hamas”, o código da cúpula do CV
Polícia Civil identificou 'senha' usada pelo Comando Vermelho para reconhecer integrantes em aplicativos de mensagem
A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou que a organização criminosa Comando Vermelho (CV) utiliza o código “Hamas”, em referência ao grupo terrorista palestino, como forma de comunicação em aplicativos de mensagem.
De acordo com as investigações, a palavra serve como uma espécie de senha para sinalizar que o interlocutor faz parte da facção.
A descoberta ocorreu após a análise de um dos celulares de Carlos Costa Neves, o Gardenal, apontado como um dos chefes do tráfico e considerado o “general” do CV.
O criminoso é responsável por traçar estratégias de expansão, sobretudo em áreas dominadas pela facção rival Terceiro Comando Puro (TCP).
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“Terror de Israel”
No WhatsApp, Gadernal salvou o seu próprio contato como “Deus”. Em uma conversa com Edgar Alves de Andrade, o Doca, ou “Urso”, número 1 do CV nas ruas do Rio, ele escreve:
“Salva aí número novo”, diz Gadernal.
Sem entender, Doca responde com uma interrogação. Gardenal, então, envia o código: “É o Hamas. Não da Faixa de Gaza.”
Em outra conversa, o criminoso faz referência ao grupo terrorista palestino, conhecido por sequestrar, torturar e matar civis.
“Salva aí, Hamas aqui. Terror de Israel. Quero falar com o Urso”.
Complexo de Israel
O termo “terror de Israel” faz alusão ao Complexo de Israel, conjunto de comunidades localizado na região entre Penha e Brás de Pina, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
As favelas são controladas por Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, número 1 do TCP, que é rival do CV.
Peixão incorporou símbolos religiosos e bíblicos ao domínio da facção.
Nas comunidades sob seu controle, foram usados elementos visuais como bandeiras de Israel, estrelas de Davi e grafites com versículos bíblicos, numa tentativa de criar uma identidade simbólica e territorial.
O Complexo de Israel é considerado um dos principais redutos do TCP e palco de disputas violentas com o Comando Vermelho.
A região também já foi cenário de operações policiais que flagraram o uso de drones equipados para lançar explosivos, evidenciando o alto grau de sofisticação das facções na guerra pelo controle do tráfico.
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