Haddad anuncia grupo de trabalho para analisar ‘Lei da Reciprocidade’
Ministro da Fazenda afirmou que o governo ainda tem "algumas semanas" para agir diplomaticamente contra as tarifas dos EUA
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quinta-feira, 10, que o governo federal criará um grupo de trabalho para analisar a Lei da Reciprocidade, após a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter decidido implementar tarifas de 50% sobre todos os produtos do Brasil.
Haddad, no entanto, destacou que o governo Lula (PT) ainda tem “algumas semanas” – até a data prevista para a implementação das taxas, em 1º de agosto – para negociar uma saída diplomática.
“Lembrando que nós temos ainda algumas semanas e nós temos que diplomaticamente agir. Os canais diplomáticos sempre estarão abertos para buscar um entendimento e a superação desse impasse.
Seria bom que os setores extremistas da sociedade brasileira que concorreram para esse resultado se desmobilizassem nos Estados Unidos e passassem a defender o interesse nacional. Então, nós temos a expectativa também de que, diante da evidência, inclusive da pública, de que eles se envolveram num ataque ao Brasil, a extrema-direita brasileira está envolvida no ataque dos Estados Unidos ao Brasil, que ela agora procure corrigir o estrago que fez”, disse.
Segundo o ministro, a medida de Trump não foi pautada em motivo econômico.
“O mesmo pode acontecer com setores de lá afetados pela Lei da Reciprocidade. Nós não queremos prejuízo de ninguém. Nem dos brasileiros que vendem para os Estados Unidos, nem dos americanos que vendem aqui. Vendem muito aqui. Têm inclusive superávit conosco. Então não é razão para isso. Nós temos que buscar o entendimento, imaginar que alguém com juízo vai aparecer e fazer o que é certo.
Se houvesse uma razão para isso, que fosse de ordem econômica, nós estaríamos dispostos a sentar, mas não há razão econômica para isso. Então, nós não podemos misturar ideologia com economia, e menos ainda alinhar setores da sociedade brasileira contra a soberania nacional. Isso é inaceitável”, afirmou.
“Se houver boa vontade, nós vamos superar esse mal-entendido. É um grande mal-entendido que envolve, infelizmente, o interesse pessoal de um indivíduo, e isso não pode afetar a relação de 200 anos entre dois países”, acrescentou.
Leia também: A arte de ser roubado e taxado no Brasil
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Comentários (2)
Marian
10.07.2025 20:59Interessante, China e Rússia preferiram negociar... é mais inteligente não é? A retaliação vai perdurar até 2026?
Fabio B
10.07.2025 18:42O Brasil já taxa em 100% tudo.