Haddad abre conversas com liderança do agro para disputa em SP
Pré-candidato ao governo paulista diz ter incentivado Teresa Vendramini a entrar na política, mas ela nega convite formal para a vice
Fernando Haddad disse nesta quinta-feira, 9, ter conversado com Teresa Vendramini, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, e disse tê-la incentivado a participar da vida pública. Ao SBT News, o pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT citou o nome de “Teca” entre possíveis para compor sua chapa, ao lado de Márcio França (PSB), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).
Na quarta-feira, 8, Vendramini havia declarado à CNN Brasil que recusou um convite do petista para ser vice.
A aproximação com o agronegócio
Haddad não confirmou ter feito um convite direto, mas disse que “a Teca é uma bela liderança do agro e tem uma grande penetração no interior paulista. Eu penso que estamos com um bom time de pessoas cujos assessores já estão sendo convocados a elaborar um plano de governo para São Paulo”.
O petista também procurou dissociar a ex-dirigente rural de setores mais polêmicos do agronegócio. Afirmou que Vendramini “faz parte de um agro que não tem nenhum vínculo com trabalho escravo e infantil” e que ela é “uma pessoa muito progressista”. Acrescentou que há uma visão “equivocada” sobre o setor, que conta com um grupo “extremamente moderno, com compromisso ambiental e com a saúde pública”.
Ao descrever a natureza das conversas, Haddad afastou a ideia de um convite formal: “Venha para a política, se dê a oportunidade de pensar, eventualmente, na vida pública e você terá uma grande contribuição a dar. Vamos ver como é que a coisa se desdobra, com toda tranquilidade”.
Vendramini se filiou ao PDT, movimento que animou aliados do PT interessados em diminuir a resistência histórica do partido no interior do estado.
Composição da chapa e contato com Kassab
A definição da chapa paulista segue em aberto. O nome mais consolidado entre os aliados é o de Simone Tebet para uma das vagas ao Senado. A segunda vaga é objeto de disputa entre Márcio França e Marina Silva, enquanto a vice ainda não foi definida. Haddad tem se reunido com aliados desde que deixou o Ministério da Fazenda, no fim de março.
Em busca de ampliar alianças além da esquerda, o pré-candidato afirmou ter enviado mensagem a Gilberto Kassab, presidente do PSD, que deixou o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) no mês anterior após divergências sobre a composição da chapa para a reeleição.
“Eu gostaria de ouvir o Kassab, que tem uma visão sobre o estado de São Paulo. Eu gostaria de ouvi-lo, mas não tenho nada agendado, embora eu tenha mandado uma mensagem para ele”, disse Haddad.
Segundo Haddad, Kassab respondeu “de forma simpática”, dizendo que conversaria “oportunamente”. O petista justificou a aproximação com uma pergunta retórica: “Por que ele apoiaria o Tarcísio? Um governo que não teve aderência com o estado”.
Nos bastidores, aliados do governador admitem distanciamento entre Tarcísio e Kassab após o primeiro optar por manter Felício Ramuth como vice, em vez de indicar o nome do PSD. Ramuth, por sua vez, trocou a legenda de Kassab pelo MDB, o que reduziu o espaço do partido na chapa.
As duas vagas ao Senado devem ficar com PP e PL. Ainda assim, ao deixar o governo, Kassab declarou publicamente apoio à reeleição de Tarcísio.
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