Hackers presos por ameaças a Felca faziam parte de grupo monitorado
Núcleo de Observação e Análise Digital da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo já vigiava o "Country" desde novembro de 2024
Os dois hackers presos na semana passada por ameaçar o youtuber Felipe Bressanim, conhecido como Felca, faziam parte de grupo no Discord e no Telegram, monitorado pela Polícia Civil de São Paulo, que reúne mais de 700 suspeitos de crimes virtuais. Um terceiro preso não estava sob investigação.
Segundo o Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), esse grupo, chamado “Country”, compartilha e vende imagens de abuso sexual infantil, comete maus-tratos a animais e promove apologia ao nazismo. Também incentiva desafios de automutilação, principalmente entre meninas e adolescentes.
As ameaças a Felca foram enviadas por Cayo Lucas Rodrigues dos Santos, de 22 anos, e um adolescente de 17 anos, após a publicação do vídeo “Adultização”, que denuncia como influenciadores digitais exploram e sexualizam crianças e adolescentes para lucrar.
Após a repercussão do documentário, a Justiça da Paraíba decretou a prisão de Hytalo Santos e Euro, casal de influenciadores citado no vídeo, acusados de exploração sexual de menores, trabalho infantil e tráfico humano.
Cayo foi preso em Olinda, Pernambuco, e o adolescente apreendido em Arapiraca, Alagoas. Ambos responderão por ameaça, invasão de dispositivo informático, perseguição e associação criminosa em ambiente virtual. Paulo Vinicius Oliveira Barbosa, de 21 anos, também foi detido em flagrante durante a operação.
Monitoramento
O Noad já vigiava o “Country” desde novembro de 2024, mas não havia identificado Cayo e o adolescente até que eles enviaram as ameaças. O grupo, de acordo com o órgão, trocava fotos e vídeos de menores, muitas vezes chantageando as vítimas após o vazamento das imagens.
Cayo, considerado um dos líderes, usava codinomes como Lammer, F4llen e Lucifage, e chegou a tentar incluir Felca em um mandado de prisão falso.
Segundo a polícia, as operações do Noad já resultaram na prisão de cerca de 20 suspeitos e na proteção de aproximadamente 280 vítimas de suicídio infantojuvenil, estupros virtuais e automutilações.
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Comentários (1)
Marcia Elizabeth Brunetti
31.08.2025 08:00Menores envolvidos nesse negócio é o que me deixa mais assustada. Como os “ maiores” conseguem influenciar a “ criançada” deveria ser estudo para repensar os métodos de educação desde os primeiros anos de alfabetização.