Gustavo Nogy na Crusoé: O ensaísmo como modo de vida
Geoff Dyer já escreveu sobre a história do jazz – sem tocar uma nota; sobre fotografia – sem tirar uma foto que preste; sobre a guerra – sem ter dado um tiro
Conhecem Geoff Dyer? Nasceu em Cheltenham, Inglaterra. Seu currículo não é dos mais apresentáveis. Especialista em coisa nenhuma e interessado em qualquer coisa, pratica um esporte com poucos adeptos e pequena torcida no Brasil: o ensaio literário, que os franceses inventaram e os ingleses batizaram de “personal essay”, bem diferente daquilo que, na academia nacional, conhecemos como ensaio: trezentas laudas de chatice, tabelas, números, notas e teorias que despencam a cada página lida (ou dormida).
Dyer (foto) é meu ensaísta de estimação. Já escreveu sobre a história do jazz – sem tocar uma nota (Todo Aquele Jazz); sobre viagens à Índia, a Amsterdam, ao ácido e à própria cabeça – sem ter um pingo de juízo (Ioga para quem não está nem aí); sobre fotografia – sem tirar uma foto que preste (O Instante Contínuo); sobre a guerra – sem ter dado um tiro (The Missing of The Somme); sobre a experiência de ser filho único – como se fosse o único filho do mundo (Working the Room).
Escreveu sobre isso e muito mais que isso, num tipo de texto de não-ficção que se lê como ficção (e seus textos de ficção, como Jeff em Veneza, Morte em Varanasi, podem ser lidos como se não fossem de ficção. É esquisito, mas funciona).
Certa vez, alguma boa ou diabólica alma propôs a Dyer viver num porta-aviões americano durante 14 intermináveis dias. Ele aceitou, para seu azar. Ele aceitou, para nossa sorte. Daí surgiu o livro Mais um Dia Magnífico no Mar – A Vida num Porta-aviões Americano. Em tempos de guerra, recomendação que não é politicamente correta.
Descobri que poucas coisas podem ser tão americanas quanto um porta-aviões americano. A disciplina, o sentido do dever, o patriotismo, a mentalidade otimista e até ingênua afloram num ecossistema bastante peculiar, principalmente quando esse ambiente é descrito por um sujeito que mais parece…
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