Gustavo Nogy na Crusoé: No princípio era o Monark
Ministério Público (aparentemente) entendeu que a defesa da liberdade de expressão a respeito de uma ideologia não é a defesa dessa ideologia
Nunca se falou tanto – e nunca se disse tão pouco. Nunca se ouviu tanto — e nunca se escutou tão pouco.
O debate público brasileiro, que de rigoroso não tem sequer o jeitinho, se acostumou de vez à cacofonia demagógica e ao dadaísmo epistêmico. A única verdade que se busca é a do corte — o corte menos nobre e mais gorduroso que sirva para alimentar a máquina de processar bom-senso das redes sociais.
Os exemplos são muitos, mas tenho meu preferido: o “caso Monark”.
Em fevereiro de 2022, durante episódio do Flow podcast, o influenciador Bruno Aiub – o Monark – defendeu que partidos nazistas deveriam ser legalizados, que “um idiota” tinha direito de ser “anti-judeu” e que, se existe espaço para a “esquerda radical”, nada mais razoável para a “direita radical” que reivindicar seu cantinho.
Foi rebatido com veemência por Tabata Amaral e com reticência por Kim Kataguiri. Segue o jogo? Game over.
Monark foi desligado da empresa que ajudou a criar, sem muito tempo para negociações.
Patrocinadores romperam contratos. Convidados cancelaram participação. Participantes pediram que suas entrevistas fossem retiradas do canal.
Quem assistiu aos episódios deve ter arrancado os próprios olhos para se purificar.
O Ministério Público (MP) viu nos céus de Gotham City o chamado, sentiu o calor das ruas, chacoalhou os penduricalhos e, muito tecnicamente, classificou as falas como discurso de ódio e preconceito antissemita.
Abriu ação e requereu que o réu fosse condenado ao pagamento de 4 milhões de reais a título de danos morais coletivos.
Os santos do pecado alheio
Não sei quanto à Terra lá fora, mas tenho certeza de que, naquele momento, o Brasil parou: os argumentos mas…
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