Governo Trump pediu para Flávio retirar trecho “presidente eleito” de carta
Integrantes do PL confirmaram que o Departamento de Estado dos Estados Unidos efetuou o pedido via Eduardo Bolsonaro
O governo de Donald Trump pediu para que o senador e ex-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) retirasse da carta divulgada nesta quarta-feira, 29, que ele era o “presidente eleito” do Brasil.
Conforme apurou O Antagonista junto a integrantes do PL, o pedido veio por intermédio do Departamento de Estado dos Estados ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, o responsável por editar o documento.
A mudança teria um caráter diplomático: o governo Trump não pretendia endossar uma espécie de governo paralelo de Flávio até obter mais informações sobre como Lula encabeçará sua política externa para os próximos anos.
A informação foi publicada primeiramente pelo Uol e confirmada por este portal.
A redação da carta é atribuída também a Eduardo Bolsonaro. Segundo aliados dele nos Estados Unidos, erros como a inclusão de um brasão da primeira República foram de responsabilidade do ex-deputado. Uma falha ocorrida por falta de revisão da parte gráfica do documento, executada com ferramentas de inteligência artificial.
Como mostramos, Flávio divulgou um pronunciamento na tarde desta quarta no qual se apresenta como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. No texto, ele acusou autoridades brasileiras de fraude eleitoral, classificou o país como um regime de exceção e afirmou que pretende liderar a oposição do exterior.
“Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania”, escreveu.
Depois da reperucussão negativa, Flávio tirou a expressão “presidente eleito” para “líder”.
No texto, Flávio voltou a questionar o resultado do segundo turno, vencido por Lula (PT), e atribuiu a derrota a supostas irregularidades na votação. Entre as críticas, citou a ampliação do horário de votação em algumas localidades por decisão judicial e alegou que a medida teria comprometido a igualdade entre os eleitores. Ele também acusou a campanha adversária de abuso de poder político e econômico e defendeu a cassação da chapa de Lula e Geraldo Alckmin.
As acusações de fraude foram apresentadas por Flávio no pronunciamento, mas o senador não apresentou, no texto, provas que sustentem a alegação de que o resultado eleitoral tenha sido fraudado.
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