Governo Lula acusa EUA de violar regras da OMC ao impor sobretaxas
Em pedido de consultas à organização, o governo brasileiro afirma que Washington adotou medidas discriminatórias e unilaterais
O governo brasileiro classificou como discriminatórias e unilaterais as sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos nacionais em documento enviado em 27 de julho para formalizar o pedido de consultas junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Segundo o Brasil, a aplicação das tarifas viola princípios básicos das regras do comércio internacional.
“O Brasil considera que os Estados Unidos agem de forma inconsistente com o Artigo I: do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994, porque impõe tarifas adicionais sobre produtos originários do Brasil como resultado da ação tarifária decorrente da Investigação da Seção 301 sobre o Brasil, enquanto não impõem tais tarifas sobre produtos similares originários de outros Membros da OMC”, diz um dos trechos do documento traduzido para o português.
“Desde fevereiro de 2025, os Estados Unidos impuseram uma série de tarifas adicionais […] em resposta a atos, políticas e práticas que os Estados Unidos caracterizam unilateralmente como não recíprocos, injustos, irracionais ou discriminatórios”, diz outro ponto da manifestação.
Contestação
No pedido, o governo brasileiro contesta as tarifas decorrentes de duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) com base na chamada Seção 301 da legislação comercial americana.
Uma delas resultou na imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, em resposta a questionamentos dos EUA sobre políticas relacionadas ao comércio digital, aos serviços de pagamentos eletrônicos, à proteção da propriedade intelectual e ao combate ao desmatamento ilegal.
A outra investigação foi aberta sob a alegação de falhas no controle de importações vinculadas ao trabalho forçado.
A manifestação também acusa Washington de impor tarifas adicionais ao Brasil sem aplicar medidas equivalentes a produtos similares provenientes de outros membros da OMC.
Além disso, o governo brasileiro argumenta que, na investigação relacionada ao trabalho forçado, os Estados Unidos aplicaram ao Brasil uma tarifa de 12,5%, diferente das alíquotas adotadas em relação a outros países.
De acordo com o documento, os Estados Unidos buscaram punir o Brasil com base em determinações unilaterais, ignorando os procedimentos de solução de controvérsias da OMC, conhecidos como DSU.
O governo brasileiro conclui que Washington descumpriu o compromisso de recorrer às regras multilaterais antes de aplicar sanções comerciais.
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