Governo do RJ avalia desapropriar terreno da Refit
Grupo de Ricardo Magro é investigado por esquema de sonegação e acumula bilhões em débitos tributários
O empresário e advogado Ricardo Magro, dono do grupo Refit e apontado pela Receita Federal como um dos maiores devedores do país, pode perder a área onde funciona a refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro.
O governador em exercício do estado, Ricardo Couto, estuda desapropriar o terreno e usar o valor para abater parte da dívida bilionária da empresa com o poder público, diz O Globo.
Segundo o jornal carioca, a proposta já foi apresentada à presidente da Petrobras, Magda Chambriard, que demonstrou interesse na área para ampliar a capacidade de refino da estatal.
A refinaria é considerada o principal ativo do grupo Refit, que acumula débitos estimados em cerca de R$ 30 bilhões em impostos nos estados do Rio e de São Paulo, sendo R$ 14,3 bilhões apenas em ICMS no território fluminense.
Operação Sem Refino
Ricardo Magro foi alvo da Operação Sem Refino, deflagrada pela Polícia Federal em 15 de maio. A investigação apura suspeitas de fraude fiscal, ocultação patrimonial, evasão de divisas e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Segundo a PF, o esquema pode ter causado prejuízo de até R$ 52 bilhões aos cofres públicos.
A operação também atingiu o ex-governador do Rio Cláudio Castro. Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, foram autorizados bloqueios de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros, além da suspensão das atividades econômicas de empresas investigadas.
Magro teve o nome incluído na difusão vermelha da Interpol após ordem de prisão expedida no âmbito da investigação.
Segundo a Polícia Federal, ele vive fora do Brasil há pelo menos uma década e mantém residência nos Estados Unidos, além de possuir cidadania portuguesa, o que ampliou a preocupação das autoridades sobre eventual dificuldade de localização e extradição.
O Ministério Público de São Paulo afirma que o grupo Refit operava um “engenhoso” esquema de fraude tributária ligado ao mercado de combustíveis. A investigação aponta estruturas societárias usadas para reduzir artificialmente o recolhimento de impostos e ocultar patrimônio.
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