Governo de SP nega favorecimento a empresa ligada ao Banco Master
Vorcaro afirmou que doações a Tarcísio e Bolsonaro foram “contrapartidas financeiras” para manter operação de consignados no estado
O governo de São Paulo negou “de forma categórica” qualquer irregularidade ou favorecimento no credenciamento da PKL Credcesta, empresa ligada ao Banco Master que operava empréstimos consignados para servidores estaduais.
A manifestação foi feita após Daniel Vorcaro, ex-dono do banco, afirmar em proposta de delação que uma doação de R$ 5 milhões para as campanhas de Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro teria origem em uma negociação envolvendo a permanência do Credcesta no estado.
O Credcesta é um cartão de crédito consignado para servidores públicos operado pela PKL One Participações. A PKL é uma empresa associada ao Master e ligada a parentes de Augusto Lima, sócio de Vorcaro.
Em nota, o governo afirmou que “a hipótese não encontra respaldo nos fatos, na cronologia dos eventos nem nas regras que disciplinam o setor”.
Disse ainda que a PKL foi credenciada em maio de 2022, antes de Tarcísio assumir o Palácio dos Bandeirantes..
Governo contesta relação com Tarcísio
Segundo a gestão paulista, o credenciamento não depende de uma escolha discricionária do governo estadual
“O credenciamento de instituições consignatárias é procedimento administrativo regulamentado, baseado em critérios objetivos e vinculado às normas legais e regulatórias”, afirmou.
O governo também negou que exista contrato entre o estado e a PKL.
Segundo a nota, o empréstimo é firmado diretamente entre o servidor e a instituição financeira, enquanto ao governo cabe apenas habilitar empresas que cumpram os requisitos previstos em lei.
O governo disse ainda que a PKL respondia por 3,4% dos R$ 634 milhões movimentados em operações de consignado no estado. A participação, segundo a nota, chegou a 5,26% antes da liquidação.
Afirmou também que suspendeu, em 19 de fevereiro de 2026, a celebração de novos contratos com a empresa.
Os contratos que já estavam em vigor, porém, foram mantidos por orientação da Procuradoria-Geral do Estado, segundo o governo, para proteger os servidores que já haviam contratado os empréstimos.
“Ilação que beira o ridículo”
A nota foi divulgada após Vorcaro afirmar, em proposta de delação premiada, que os R$ 5 milhões doados em 2022 foram “contrapartidas financeiras” de um “ajuste indevido com Gilberto Kassab [ex-secretário de Tarcício] para a manutenção do Credcesta no governo Tarcísio”.
Tarcísio chamou a acusação de “ilação que beira o ridículo”.
Questionado sobre a demora para retirar a PKL do sistema após a liquidação do Master, afirmou que o estado suspendeu a empresa “assim que ela foi descredenciada pelo Banco Central”.
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